A Câmara Municipal da Covilhã gasta milhões de euros com um sistema de mobilidade e ainda assim, os Covilhanenses continuam a pagar, para andar de autocarro.
E é bem sabido por todos e se não sabiam ficam a saber, que noutras cidades do país, governadas pelo PSD, por Coligações de Centro de direita e também pelo PS, a realidade é já bem diferente.
O que se torna inadiável de perguntar, é porque é que a Covilhã, não tem transportes urbanos gratuitos?
E caros leitores, não estou a falar de uma ideia utópica, porque já existem de facto municípios de norte a sul do nosso país e de diferentes famílias políticas, que oferecem transportes públicos gratuitos, o que nos mostra que esta não é uma questão de cor política, mas sim uma decisão sobre prioridades, financiamento e modelo de mobilidade.
Ora uma Câmara Socialista como é a da Covilhã, que se diz preocupada e amiga do povo, a pergunta que devemos colocar é:
-Porque não consegue esta câmara encontrar soluções, para tornar os transportes urbanos gratuitos?
E não venham com a velha resposta de dizer, que os transportes gratuitos custam dinheiro e claro, temos que lembrar também que a Câmara paga à concessionária, comparticipa os passes, suporta apoios sociais e assume ainda custos para evitar aumentos tarifários, o que nos leva a colocar nova questão:
Quanto já estamos a gastar dos dinheiros públicos e quanto mais seria necessário gastar para que cada cidadão deixasse de pagar?
Será que a Câmara já explicou devidamente aos covilhanenses essas contas?
Afinal o dinheiro Público serve para quê?
Mas as questões são imensas e devem ser respondidas urgentemente, pelo que temos de insistir em saber:
Quanto custa atualmente à Câmara da Covilhã manter o atual modelo? Quanto Custaria a Gratuitidade?Quanto poderia ser financiado através de programas nacionais ou europeus?Quanto pagam por ano, os covilhanenses pelos seus passes?
Todas estas são perguntas que merecem respostas públicas, porque quando uma Câmara diz, que não pode oferecer transportes gratuitos devido ao seu custo, mas simultaneamente assume custos elevados para manter os preços dos passes, é legitimo perguntar se existe uma alternativa mais eficiente e a resposta, não exige vídeos imensos na página da Câmara, exige sim um estudo sério e preocupado com toda a população e ter ainda uma resposta a esta pergunta:
-Quanto custa não serem gratuitos os transportes urbanos e quanto custaria torná-los gratuitos?
Hoje esse contrato de 9.17 milhões de euros efetuado pela Câmara Municipal da Covilhã com a Transdev, levanta uma questão inevitável:
-Estaria a Covilhã a gastar melhor esse dinheiro, se tivesse optado por um modelo de transporte urbano gratuito?
Na altura este fabuloso contrato com a Transdev, embora tenha recebido o parecer de não oposição da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e o visto do Tribunal de Contas, não ficou isento de contestação política, pois na Assembleia Municipal, a bancada do PSD classificou-o como um projeto “megalômano e monopolista” chegando mesmo a questionar os encargos que recaíam sobre o município e as condições da concessão, questões que nunca foram respondidas pela Câmara Municipal.
Há oito anos que a Covilhã parece ter ficado parada no tempo e enquanto outras cidades evoluem, tornam-se sustentáveis e amigas das pessoas, aqui paira a pouca ambição, a ausência de novas ideias e sobretudo a coragem para fazer boas escolhas.
Os transportes gratuitos, podem significar maior mobilidade para quem tem menos rendimentos, pode significar menos automóveis nas ruas e menos pressão sobre o estacionamento e claro uma maior utilização do transporte coletivo e é sem dúvida uma grande vantagem para a cidade, que terá menos trânsito, menos poluição e uma maior liberdade para as pessoas se deslocarem, sem que o preço seja um obstáculo.
Se a Câmara já investe milhões na mobilidade, não estará na altura de perguntar quanto custaria tornar os transportes urbanos gratuitos e quanto valeria essa escolha para os Covilhanenses?