O título deste pequeno texto poderia ser a velha e conhecida frase “Pare, escute e olhe”, mas não hoje trago a este programa o problema do atravessamento das artérias principais da zona baixa da nossa cidade.
Ontem as sirenes da polícia, bombeiros e INEM tocavam o seu grito aflitivo de socorro para mais uma ocorrência de atropelamento frente à farmácia de São Cosme, mais uma vítima em estado considerado grave, até quando vamos ouvir estes sinais sonoros?
Pelo que sei este acidente deu-se por descuido do peão uma senhora já de idade avançada que atravessou em local não recomendável, talvez tenha saído da clinica da Luz ou da paragem de autocarro ali existente e atravessou a Alameda Europa nas duas faixas de rodagem ,transpondo a barreira herbácea que separa os dois sentidos da Alameda e veio a ser colhida por um automóvel no sentido ascendente com direção à Rotunda do Operário, segundo sei a condutora circulava a uma velocidade moderada para aquele local.
A vítima terá sofrida leões físicas graves a qual desejo uma rápida recuperação.
Segundo o Código da Estrada, seu Artigo 101.º - Atravessamento da faixa de rodagem
1 - Os peões não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem de que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respetiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente.
3 - Os peões só podem atravessar a faixa de rodagem nas passagens especialmente sinalizadas para esse efeito ou, quando nenhuma exista a uma distância inferior a 50 m, perpendicularmente ao eixo da faixa de rodagem.
Logo o nº 1 não oferece qualquer dúvida, mas o seu nº 3, já nos diz que se as passadeiras estiverem a mais de 50 metros do local onde se encontra o peão este pode atravessar a faixa de rodagem bem como transpor separador central e mesmo barreira herbáceas se estas não estiverem acompanhadas de uma barreira física que poderá ser rede ou outro material.
Assim o peão que ali passou poderá ter atravessado em local não proibido, cabendo as Forças de Segurança agora em processo de investigação concluir se houve ou não infração isto sem conjugar o seu nº1.
Agora permita-me fazer algumas considerações sobre as artérias Alameda Europa e Alameda Pero da Covilhã e Avenida da Anil.
1. Estas vias já são reconhecidas como vias de muito tráfego e de acidentes com algumas vítimas mortais, um ponto negro na nossa cidade;
2. A Alameda Europa encontra-se numa zona escolar e comercial, o que por si é considerada área critica, talvez não para os responsáveis pela mobilidade e segurança rodoviária;
3. A Alameda Pero da Covilhã já não pode ser considerada uma via de acesso à cidade ou ao maciço da Serra da Estrela, mas sim um corredor de tráfego para as zonas comercias e estabelecimentos de saúde onde existe muita concentração de peões e veículos;
4. Talvez quem tem a competência de poder estudar e aplicar as alterações a estas vias o deva promover o mais rápido possível, ou continuaremos a registar uma maior sinistralidade e com mais gravidade, já que hoje existe um outro problema de circulação nestas vias que são as trotinetes sem quaisquer regras ainda definidas;
5. A colocação de controladores de velocidade instantânea (conhecido radar) nestas vias não é um meio de dissuasão de velocidade mais sim um meio de enriquecimento do Estado com as coimas aplicadas, não tenho dados por momento que possa justificar a minha afirmação, - mas só deve apanhar dois ou três condutores em infração porque passados alguns segundo já há informação nas redes sociais ou nas aplicações Waze e outras;
Em algumas cidades tais como (o caso de Tomar junto ao Instituto Politécnico e área comercial, onde a sinistralidade passou quase para zero), do nosso país e no estrangeiro França e Espanha do qual verifiquei no lugar fizeram a opção da colocação de Lombas Redutoras de Velocidade.
As LRV, são aplicadas com a finalidade para a acalmia do trânsito, isto é, a induzir os condutores a praticarem em certas zonas críticas uma velocidade moderada ou reduzida (por ex. junto áreas escolares, locais de saúde coma atravessamento de faixas de rodagem por pessoas idosas ou de mobilidade reduzida, áreas com grande concentração populacional), sei que é uma política difícil de concretizar já que há vários pensamentos a favor e contra.
Em primeiro o peão tem de consciencializar que deve PARAR! E NÃO ATRAVESSAR e ir para a passadeira, se não existe deve tomar as devidas precauções antes de atravessar as faixas de rodagem.
As entidades locais com competência nesta matéria devem proceder a um estudo sobre esta temática e faço aqui um reparo, não fazerem como fizeram junto ao portão principal do Centro Universitário e Hospitalar da Cova da Beira que colocaram uma barreira em madeira que toda as pessoas atravessam, também devem prestar atenção a que o Maradona também vai ser um problema com duas áreas comerciais uma frente á outra com separação de uma alameda onde se circula com excesso de velocidade, todos os dias se veem peões a passar de uma lado para o outro na faixa de rodagem.
Devemos ser proactivos e evitar o acidente.
Mais uma vez PARE! NÃO ATRAVESSE, a passadeira está próxima.