Opinião: Eduardo Cavaco | As Promessas do Sr.º Eng.º Hélio Fazendeiro – Passaram 7 Meses!
Por Jornal Fórum
Publicado em 05/06/2026 09:00
Opinião

Assinalam-se hoje, dia 2 de junho, exatamente sete meses desde a tomada de posse do executivo municipal liderado pelo Sr. Eng.º Hélio Fazendeiro. Nesse dia, perante os covilhanenses, foram assumidos compromissos claros. Foram anunciadas prioridades, apresentadas estratégias e criadas expectativas. Como vereador da oposição, entendo que a nossa missão não é apenas fiscalizar, mas também exigir que as promessas feitas aos cidadãos sejam cumpridas. Sete meses decorridos, importa fazer um balanço.

Na área da habitação, o Presidente da Câmara anunciou a constituição de uma equipa multidisciplinar encarregue de elaborar um Plano Integrado de Habitação Acessível. Esse plano deveria identificar edifícios municipais passíveis de reabilitação, terrenos com potencial para novos projetos habitacionais, mecanismos de cooperação com promotores privados e cooperativas e, sobretudo, definir um calendário de execução realista e sustentável. A verdade é que, até à data, nada foi apresentado publicamente. Os covilhanenses continuam sem conhecer o plano, os seus objetivos concretos ou os prazos para a sua implementação, num momento em que o acesso à habitação constitui uma das maiores preocupações dos jovens e das famílias.

Mas é talvez na área da mobilidade e da rede viária que a diferença entre o discurso e a realidade se torna mais evidente. Foi prometida a elaboração, no prazo de seis meses, de um relatório técnico e estratégico sobre o estado da rede viária municipal, documento que serviria de base a um Plano de Ação Viária, com prioridades definidas e intervenções calendarizadas. Os seis meses passaram e o relatório não é conhecido; o plano não foi apresentado e os problemas persistem nas estradas, arruamentos e passeios de todo o concelho. Mais do que uma promessa incumprida, trata-se de uma oportunidade perdida para planear de forma séria e transparente uma das áreas que mais afeta a qualidade de vida dos munícipes.

Também ao nível da regeneração urbana foram assumidos compromissos. O executivo garantiu que os sanitários públicos do centro da cidade seriam reabertos até ao final do ano, enquanto não fossem instalados novos equipamentos em locais estratégicos. A realidade ficou aquém do prometido. Apenas dois equipamentos foram reabertos já em 2026, muito para além do prazo inicialmente anunciado. Quanto aos novos sanitários públicos, continua sem existir qualquer informação conhecida sobre a sua localização, calendarização ou investimento previsto.

O mesmo se poderá dizer relativamente à anunciada requalificação do Parque da Goldra, apresentada como uma intervenção prioritária destinada a transformar aquele espaço num verdadeiro parque urbano contemporâneo. Também aqui não são conhecidos avanços significativos, projetos apresentados ou prazos definidos. No desporto, foram igualmente assumidos compromissos ambiciosos. Falou-se na avaliação dos equipamentos existentes, na definição de intervenções prioritárias, no estudo para uma nova piscina coberta e na construção de um futuro pavilhão multiusos. Sete meses depois, pouco ou nada se conhece sobre estas intenções. Não são conhecidos estudos, relatórios, concursos de ideias ou qualquer documento que permita perceber em que ponto se encontram estas propostas.

Naturalmente, ninguém espera que grandes projetos estejam concluídos ao fim de poucos meses. Mas é legítimo esperar que existam sinais de trabalho, planeamento, transparência e execução. O que não é aceitável é que muitas das promessas apresentadas como prioritárias permaneçam praticamente no mesmo ponto em que estavam no dia da tomada de posse. A Covilhã precisa de ação, precisa de uma estratégia clara para a habitação, precisa de um plano para a rede viária, precisa de investimento nos espaços públicos e nos equipamentos desportivos, precisa, sobretudo, de liderança capaz de transformar promessas em realizações. Dou apenas um exemplo que considero simbólico: desde a primeira reunião de Câmara que tenho defendido a alteração do Regimento para permitir a transmissão online das reuniões públicas, reforçando a transparência e aproximando os cidadãos da vida autárquica. Sete meses depois, também essa proposta e promessa do Sr. Presidente continua sem qualquer desenvolvimento.

Ao fim de sete meses, os covilhanenses têm o direito de perguntar: onde estão as promessas que lhes foram feitas?

 

 Eduardo Cavaco, vereador da Coligação + Covilhã (CDS-PP/IL)

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