Opinião: António Rebordão | Os Meninos de Ontem
O AMOR QUE DURA TAMBÉM COMBATE A SOLIDÃO
Por Jornal Fórum
Publicado em 09/01/2026 11:31
Opinião

Se, por um lado, o amor necessita de respeito, de confiança, de afeto e de carinho, pelo ser amado, por outro lado, o mesmo deve ser cultivado nas pequenas coisas, todos os dias. Além disso, quem ama precisa de dar independência ao ser amado.

 Por outro lado, a solidão do idoso é uma das preocupações de quem possui um parente da terceira idade. Isso porque o isolamento constante pode gerar consequências à saúde do mais velho. E, muitas vezes, o próprio indivíduo não percebe. Por isso, é importante evitar que ele se sinta sozinho.

Enquanto que o amor tem companhia, tem ambiente, tem luz do dia, a solidão é, com o se nota, o reverso desta medalha: Não tem companhia, não tem, a maior parte do dia e da noite. luz do dia, não tem ambiente para se poder libertar, livremente, dessa solidão.

Nada melhor do que sabermos, afinal, o que é o isolamento social?

É, principalmente, a falta de contacto social ou familiar. É também, a ausência do envolvimento na comunidade ou com o mundo exterior. É, ainda, a ausência ou a dificuldade no acesso aos diversos serviços, quando necessita deles e não sabe ou não consegue alcança-los.

Qualquer pessoa, homens e mulheres, em todas as fases do ciclo da vida, casados e solteiros, pessoas empregadas e desempregadas, ou mesmo pessoas que residem em meios rurais e urbanos podem sofrer de isolamento social.

 

Temos perfeita noção de que existem condições psicológicas e sociais a que as pessoas estão expostas que podem aumentar o risco de isolamento social, como por exemplo:

·         doença mental grave

·         doença crónica

·         mobilidade reduzida

·         incapacidade (por exemplo, surdez)

·         dependência de substâncias psicoativas

·         ser um cuidador informal permanente

·         características específicas no local de trabalho.

Sabemos bem que a solidão interfere, particularmente, com o cidadão idoso. Por isso é importante termos presente que a solidão é um sentimento subjetivo e se relaciona com a ausência de contacto, de sentimento de pertença ou mesmo com a sensação de se estar numa situação de isolamento. O sentimento de solidão pode ainda interferir com a qualidade de vida das pessoas.

No decurso das suas vidas qualquer cidadão pode sentir-se profundamente só e/ou incompreendido. As pessoas em situação de solidão são aquelas que sentem que as relações com os seus amigos ou colegas estão aquém do que desejariam (solidão social), ou aquelas que não têm um relacionamento de intimidade ou um vínculo emocional próximo, como um melhor amigo (solidão emocional).

 

Como prova desse amor, em casal e por outro a tristeza que é viver em solidão, nada melhor do que juntas duas lindas histórias que, sendo verdadeiras ou não, o seu conteúdo demonstra bem a verdade do que acabámos de escrever sobre os dois sentimentos.

 

A solidão de uma idosa é como uma mesa posta, sem pão

O diálogo mantido entre uma idosa, que estava sozinha, sentada num banco de jardim, ao relento e sem ninguém por perto e alguém que, entretanto, passou, e preocupou-se com aquela “menina de ontem”. Aproximou-se dela e perguntou-lhe:

- Está à espera de quem?

- Eu já não espero por ninguém!

Estou só a usufruir desta brisa que se faz sentir...

- Não tem família?

- Tenho! Deixei de os esperar...

- Estão zangados?

- Não! Estamos melhor assim, para nosso bem...

Estamos melhor com a vida!

- Como assim?

- Aprendi com os anos, que não devemos esperar por ninguém!

- Mas... Uma mãe deve esperar sempre pelos seus filhos...

- Por muitos anos achei que sim...

Depois aprendi que só esperámos na ilusão de posse...

No dia em que entendemos que ninguém pertence a ninguém, que até os filhos são

do Universo...

Passámos a ser livres para receber, sejam os filhos ou tudo o que a vida nos reserva!

- E quando os filhos não chegam?

- Ninguém espera. Deixemos a vida acontecer...

- É difícil de entender!

- Eu sei. Fomos iludidos a sentir amor como apego, quando a verdade é que o autêntico amor é saber desapegar. Amor é liberdade para amar sem prender, para amar e permitir ao outro voar!

- E não sente solidão?

- Ela não existe para quem resgatou para si o direito de também continuar a voar...

E hoje, mesmo de forma diferente, aceito, ajusto e continuo a permitir-me ao meu voo!

- E quando não conseguires?

- Eu acredito que quem se permite a ser livre, a morte chegará leve, quando o meu corpo físico deixar de poder voar, partirei de regresso a casa!

E sabes...

Acredito também que esse é o propósito da vida: nunca deixar de voar,

Até lá...

Vou continuar a usufruir, simplesmente, desta brisa a passar...”

Este é, de facto, um exemplo de solidão, triste, muito triste quando se tem alguém como se não tivesse…

 

A outra história vem demonstrar o reverso da medalha quando o amor entre idosos é eterno e quando uma vida vivida a dois transforma, por completo, o bem estar do casal, no contraste entre a dúvida e o amor verdadeiro.

 

Ela olhou-se espelho e, no mesmo momento olhou para ele que estava sentado na cama. Naquele momento, a esposa perguntou ao marido: “você ainda gosta de mim”?

Ele respondeu, como o fez no primeiro dia em que casaram.

Ela colocou as mãos em torno da sua cintura e perguntou-lhe: “você já percebeu que meu corpo não é o mesmo de quando nos conhecemos”?

Ele respondeu. “Não”.

Ela colocou as suas mãos no busto e perguntou-lhe: “você já reparou que meu busto já está baixo”? Ele respondeu. “Não”.

Ela ergueu o vestido e olhou para as pernas e perguntou:

“Você já notou que as minhas pernas não são duras e lisas como antes”? Ele respondeu outra vez: “não”.

Então ela aproximou dele e, com lágrimas nos olhos, perguntou-lhe:

“Então, o que é que você faz ao meu lado se não me vê mais, se não repara o quanto o meu corpo mudou? Dormimos juntos e não percebeu que eu não sou a mesma que ontem”?

Ele sorriu e disse-lhe:

“Muito antes de ver o seu corpo, olhei para o seu modo de ser; muito antes de tocar no seu corpo, senti a sua maneira de amar; muito antes de ver o seu busto em baixo, olhei para o seu coração, um coração cheio de bondade; muito antes de ver a sua figura sensual, senti que você foi e será sempre o molde perfeito para semear a minha semente, porque senti um solo fértil; senti que você, como mãe. Foi sempre uma mulher para perpetuar a minha família”.

“Meu amor... Não fique triste com a sua aparência. Fique, isso sim, feliz, por saber o quanto eu ainda sinto por si, porque eu continuo a amá-la cada vez mais”.

“Eu me apaixonei pela sua sensualidade e pela bondade da sua alma, e não apenas pela beleza do seu corpo” ...

E, através das suas lágrimas, ela desenhou um sorriso que fez o seu rosto resplandecer novamente...

O homem, quando valoriza a mulher que tem em casa, não procura perfeição no seu corpo, beleza se acaba com o passar do tempo, mas sim o amor que se vive até ao último suspiro.”

Todo o amor é lindo. Toda a solidão é triste.

Todos nós, cidadãos deste mundo, devemos ter consciência destes dois sentimentos, tão opostos, mas cheios de significado. É sempre importante a nossa colaboração em ambos, porque alguém que se sente só, provavelmente também tem dificuldade em procurar ajuda. Há um estigma em torno da solidão, e as pessoas mais velhas tendem a não pedir ajuda porque não querem mostrar fragilidade.

Com ou sem amor, todos sabem que um dia atingirão o patamar da terceira idade ou mesmo da quarta, para os que lá chegarem …

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