Opinião: Luís Maia | REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA
Por Jornal Fórum
Publicado em 20/08/2026 09:00 • Atualizado 20/08/2026 11:48
Opinião

AUTOR

Luis Maia – Professor Universitário Doutorado na Universidade de Salamanca, Espanha – Professor da UBI

A reabilitação neuropsicológica é, possivelmente, tão velha quanto a própria neuropsicologia, obtendo modelos bastantes capazes de provar esta asseveração. O benefício pela reabilitação tem origem na Antiguidade, sendo que com o começo da Idade Moderna teve igualmente origem o benefício pelo estudo sistemático do sistema nervoso.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (doravante, apenas “OMS”), a reabilitação neuropsicológica é uma atuação de reaquisição de pacientes na busca pela melhor condição física, psicológica e de adaptação social exequível. Tal engloba todas as dimensões que detém como objetivo o decrescimento do impacto de inaptidão e condições de inferioridades, de maneira a permitir a otimização da inclusão social do beneficiário.

Define-se também a reabilitação neuropsicológica como um conjunto de intervenções que têm como objetivo auxiliar na melhora de problemas cognitivos, emocionais e sociais consequentes de algum traumatismo encefálico, auxiliando a pessoa a alcançar melhor autonomia dependendo do caso, e uma melhor qualidade de vida.

Nessa conjetura, a reabilitação tem como objetivo auxiliar no melhoramento da qualidade de vida dos beneficiários e dos seus familiares, otimizando toda a utilidade das funções total ou parcialmente preservadas através do treino de estratégias compensatórias, aquisição de novas habilidades e apropriação das perdas perduráveis. O procedimento de reabilitação neuropsicológica favorece uma conscientização do beneficiário a despeito de suas aptidões remanescentes, o que usualmente conduz a uma modificação na auto-observação e, supostamente de uma concordância da sua nova realidade.

A reabilitação neuropsicológica é vista como um método ativo e empreendedor que busca habilitar as pessoas com défices cognitivos originados por lesão ou doença, para que consigam obtiver um bom nível de funcionamento social, físico e psíquico. Desta forma, a reabilitação neuropsicológica busca otimizar as funções cognitivas por forma de aumentar o bem-estar psicológico, a funcionalidade na execução das atividades de vida diária, e do relacionamento social.

Tem por objetivo igualmente o decrescimento dos défices que afetam o afastamento e isolamento social, dependência e discriminação. É um procedimento biopsicossocial, que circunda os pacientes e os seus familiares, tendo em conta as mudanças físicas e cognitivas dos indivíduos, bem como o ambiente em que residem, os fatores subjetivos, entre outros.

A justificação científica da reabilitação neuropsicológica dar-se-á na plasticidade neuronal, sendo esta a aptidão do cérebro de se regenerar e adequar na sua morfologia. Esse é um maquinismo adaptativo biológico do sistema nervoso que modifica, constantemente, a sua organização estrutural e a sua funcionalidade, objetando a estímulos, tanto internos como externos.

Em súmula, a plasticidade neuronal é uma característica interna do cérebro humano que possibilita ao sistema nervoso a aptidão de fugir às limitações do seu próprio genótipo e assim adequar-se às tensões ambientais, modificações a nível fisiológico e as demais experiências da vida quotidiana. Desta maneira, o saber dos instrumentos da plasticidade sináptica e de reintegração funcional direciona a enunciação dos princípios principais e modelos de reabilitação, enquanto o saber dos fatores prognósticos possibilita a sua utilização racional.

Com o discorrer dos estudos da mecânica de recuperação funcional depois da ocorrência de lesões cerebrais, certifica-se que subsistem três pressuposições empregados na reabilitação neuropsicológica; a reposição, a permutação e a retribuição. A “permutação” funcional está associada ao princípio que incute, quão mais precoce a lesão maior a probabilidade de recuperação funcional, já a “reposição” funcional após lesões cerebrais é provável de ocorrer quando estas lesões são parciais ou delimitadas. As experiências de restruturação fundamentem-se na indicação de treinos funcionais particulares com vários estados de dificuldade.

Os progressos de programas neuropsicológicos centram-se numa reabilitação cognitiva, onde não se sujeitem exclusivamente na amplidão e substância da lesão cerebral ou deficiência orgânica, bem como igualmente são delimitadas pelas particularidades do temperamento pré-mórbido, das reações psicológicas do utente e, por final, das expectações da indicada pessoa em sofrimento neuropsicológico.

Por esta razão, a reabilitação neuropsicológica jamais é estimada como sendo um processo de simples acesso, jamais é simples, daí a carência de ensinar ao usuário, os seus familiares e/ou cuidadores, estratagemas de modo a trabalhar eficazmente e corretamente com as suas complexidades cognitivas na sua vida diária (habilidades de coping) e planeamento para produção de explicações objetivas, proporcionando melhorias das funções cognitivas e da qualidade de vida.

Neste sentido quaisquer habilidades de compensação são aumentadas naturalmente pelo usuário ou pela sua família e cuidadores, logrando ser aprimoradas a partir de propostas do clínico; usando especificamente contrapartidas que obrigam a um treino muito ativo e assertivo e uma boa aptidão de disciplina e organização por parte do utente e da sua família e/ou cuidadores.

Por fim, sumarizando este presente conceito, observa-se alguns princípios genéricos da reabilitação neuropsicológica\cognitiva.

As funções cognitivas implicadas são reconhecidas a partir do exame neuropsicológico.

Um modelo hipoteticamente certificado define o método cognitivo que vai ser praticado,

As tarefas terapêuticas são realizadas de forma reiterada e contínua.

O método atenuado é individualizado, ou seja, adaptado ao nível de performance de cada indivíduo.

O uso de labutas para casa e testes de disseminação da sintomatologia permite averiguar a utilização das melhoras de recuperação na sua vida diária.

As medidas de fato ou insucesso relacionam-se com a aptidão de vida autónoma e recapacitação profissional.

 

Para contactar o autor desta obra, é favor consultar:

- Página web de Luis Maia: www.luismaiapsicologia.com

- Email:  luismaia.gabinete@gmail.com

- Cédula Profissional da Ordem dos Psicólogos, n.º 102

Mestre em Neurociências pela Faculdade de Medicina de Lisboa

- Professor Doutorado – Universidade da Beira Interior

- Neuropsicólogo Clínico, Doutoramento (USAL - Espanha)

- Especialista Médico Jurídico – Pós-Doutoramento (Instituto de Medicina Abel Salazar -     Porto, Portugal)

- Licenciatura em Neuropsicologia Clínica (USAL - Espanha)

- Licenciatura em Proficiência Investigativa em Psicobiologia (USAL - Espanha)

- Licenciatura em Psicologia Clínica e da Saúde (Universidade de Minho - Portugal)  

- Perfil completo no CV- ORCID - https://orcid.org/0009-0008-0241-799X

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