Opinião: António Duarte | Francisco Prior: Há homens que são um lugar seguro
Por Jornal Fórum
Publicado em 03/08/2026 10:54
Opinião

A vida tem uma estranha forma de escolher as pessoas que hão de caminhar ao nosso lado. Umas passam como o vento, deixam apenas uma recordação distante. Outras ficam para sempre. Tornam-se parte da nossa história, da nossa identidade e, sem darmos por isso, passam a viver dentro de nós. 

Tenho quase setenta e cinco anos. Vivi o suficiente para saber que o maior património que um homem pode possuir não se mede em dinheiro, propriedades ou títulos. Mede-se nas amizades verdadeiras que conseguiu conquistar ao longo da vida. 

Foi ainda nos tempos da Escola Técnica Campos Melo que conheci o Francisco Prior. Nesse dia nasceu uma amizade que nunca mais conheceu afastamentos. Os anos passaram, os cabelos embranqueceram, as alegrias e os sofrimentos sucederam-se, mas a nossa amizade permaneceu firme, como uma velha árvore que desafia todas as tempestades. 

Ao longo da vida, encontrei nele muito mais do que um amigo. Encontrei um porto de abrigo. Uma mão estendida antes mesmo de a pedir. Um homem capaz de transformar dificuldades em esperança e problemas em caminhos. 

Nas horas mais difíceis da minha vida familiar, na música que tantas alegrias me deu, na agricultura, na apicultura, na doença e em tantas outras circunstâncias que o destino foi colocando à minha frente, o Francisco nunca faltou. Talvez nem sempre tivesse a solução perfeita. Mas tinha sempre disponibilidade, inteligência, serenidade e uma vontade imensa de ajudar. E, muitas vezes, isso vale mais do que qualquer resposta. 

Há pessoas cuja presença tranquiliza. Basta saber que existem para nos sentirmos mais fortes. O Francisco é uma dessas pessoas. 

Nunca ouvi alguém falar mal dele. Pelo contrário. Em cada terra há homens que se tornam uma referência silenciosa. Não aparecem nas manchetes, não procuram homenagens nem reconhecimento. Fazem simplesmente o bem, todos os dias, quase sempre em silêncio. O Francisco pertence a essa rara categoria de pessoas. 

É um apaixonado pela natureza, sensível ao sofrimento humano, revoltado com as injustiças e sempre disponível para escutar quem precisa de um conselho ou apenas de um ombro amigo. 

Costumo dizer, com um sorriso, que ele é um "Prior" sem igreja. Mas talvez seja precisamente por isso que a sua missão seja ainda maior. A sua igreja é a vida. Os seus altares são as pessoas. A sua religião é a amizade. E o seu evangelho escreve-se através da bondade, da generosidade e da capacidade de servir sem esperar recompensa. 

Nenhum homem se faz sozinho. Também o Francisco é fruto da educação e dos valores que recebeu dos seus pais e da família que o acompanha. A eles deixo igualmente uma palavra de reconhecimento, porque quem semeia bondade acaba sempre por a ver florescer. 

Escrevo estas linhas sem qualquer pretensão. Apenas porque senti necessidade de dizer, enquanto o tempo mo permite, aquilo que tantas vezes guardamos para nós até ser tarde de mais. 

Há gratidões que não cabem num abraço. Há amizades que não cabem numa fotografia. E há pessoas que nenhuma palavra consegue definir por inteiro. 

O Francisco Prior,da vila das flores, Tortosendo, é uma dessas pessoas. 

Obrigado por tudo, meu querido amigo. 

Que a vida continue a recompensar a tua generosidade, porque homens como tu não enriquecem apenas os amigos. Enriquecem o mundo.

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