Opinião: Miguel M. Riscado | A busca pela Verdade
Por Jornal Fórum
Publicado em 25/06/2026 09:00
Opinião

Um recente estudo da Order of Christian Initiation of Adults, nos Estados Unidos, concluiu que há um aumento substancial no interesse pela religião católica naquele país. Mais: os mais interessados parecem ser os indivíduos da geração Z (1997-2012). As razões para este aumento prendem-se na busca pela verdade, pela dimensão espiritual e pelo significado no mundo. Não há, verdadeiramente, nenhuma surpresa neste aspeto.

Há, desde há largas décadas, quase desde a sua fundação, um enorme lobby anti católico. Não necessariamente anti Igreja, mas verdadeiramente contra Deus e, principalmente, contra as ideias de Jesus. As ideias de Jesus são de pacifismo, de amor ao próximo, de retidão e de negação a bens materiais. Fica óbvia a razão do ódio. Na humanidade, o dinheiro é o instrumento mor da corrupção. A traição, o ódio, o poder imensurável...todos radiam do (amor ao) dinheiro. Qualquer doutrina que ataque o dinheiro, como meio de obtenção de tudo, como abertura de todas as portas e de todas as pernas, é para esconder e fechar num baú.

Mas as pessoas normais, que vivem vidas normais, afastadas das luzes da ribalta e dos seus sujos bastidores, cansam-se de viver como “é suposto”. Verdadeiramente, a geração Z é a primeira não criada num ambiente ocidental católico. É a primeira que, a distância de um clique, consegue obter todos os prazeres do mundo e mais alguns. E é também a primeira a sentir que nenhum desses prazeres mundanos tem a densidade e a profundidade suficiente para efetivar uma vida bem vivida.

Os consequentes escândalos nacionais e internacionais ligados aos poderosos, desde a corrupção, aos próprios abusos sexuais ocorridos no seio da Igreja, ao caso Espstein, demonstraram que, quando a sociedade perde a sua bússola moral, a sua perspicácia crítica e os valores dignos, se perde tudo o que o humano tem de bom. Sabemos que a propagação de informação, muita vezes mal filtrada, é uma realidade atual. A percepção que temos do mundo acaba por ser maximizada com o constante bombardeamento de novidades, por vezes de tamanho volume que se torna impossível de acompanhar. A nossa percepção é, assim, moldada por essas novidades constantes. O que não significa que o mundo se tenha tornado um lugar pior. Tornou-se, em verdade, um lugar onde o mal, além de informado, é maximizado e espremido na totalidade para visualizações e audiências. Até os meios de comunicação tradicionais seguiram o caminho fácil e baixo de constante loop informativo. É natural que tenhamos, então, pessoas sem esperança, que considerem que o mundo se tornou um lugar ruim. Mas, lamento informar: sempre foi um lugar ruim. Desde os tempos clássicos até hoje, a humanidade foi capaz das mais nojentas coisas. Abusos, violações, genocídios…somos capazes das coisas mais atrozes contra os nossos semelhantes e contra os mais vulneráveis. E hoje, também como consequência de vivermos ligados a um ecrã, sabemo-lo plenamente.

A esperança reside precisamente neste conhecimento que nos é bombardeado. Se tudo é mau, e sempre foi, só pode partir da nossa iniciativa e interioridade o bem. É nessa busca pela verdade, pelo conhecimento, por quem somos, que está o resultado do estudo realizado. A amostra era pequena, mas demonstra cabalmente o fenómeno que virá e que já é.

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