Opinião: Miguel M. Riscado | Prevost, Coração de Leão
Por Jornal Fórum
Publicado em 14/05/2026 09:00
Opinião

No passado dia 8 de maio, celebrou-se o primeiro aniversário do pontificado de Leão XIV. O Cardeal Prevost, há cerca de um ano, era um quase desconhecido. Não constava entre os cogitados no pré-Conclave, perdendo na previsão para Pizzaballa ou Tagle. As análises eram feitas à luz do que tinham sido os antecessores: não se pedia a longevidade e carisma de João Paulo II, mas balanceava-se entre o rigor teológico, por vezes frio, de Bento XVI e a popularidade e simplicidade de Francisco. Não sabemos o que ponderou cada cardeal eleitor, nem nunca saberemos, mas o resultado daquele Conclave era precisamente do que os católicos precisavam, mesmo sem o saberem.

            Se o Cardeal Prevost era um desconhecido para o grande público, o seu currículo e postura demonstravam um compromisso e uma inteligência excecionais. Arrisco-me a dizer que, de entre os grandes líderes mundiais da atualidade, o Chefe de Estado do Vaticano será o mais inteligente, na polivalência e polissemia da palavra. Altamente graduado, dedicou-se à pobreza no Peru, depois de dirigir os Agostinianos. Talvez tenha até ficado surpreso com a sua escolha. O seu primeiro surgimento público assim o indica. Mas Leão XIV personifica precisamente a Mensagem e a Postura de Cristo. Esta metáfora é, claramente, exagerada, mas há pontos em comum interessantes e que não podem ser ignorados.

            Os judeus do primeiro século esperavam a vinda de um Messias armado, bélico, guerrilheiro. Alguns subgrupos, como os zelotes, acreditavam piamente na guerra armada contra o opressor romano. Nesses séculos – e nos seguintes – era comum existirem revoltas nacionalistas judaicas. Culminariam, no ano 70 d.C., na destruição do Segundo Templo e na dispersão dos judeus. Ora, no tempo de Jesus, o judeu esperava que o Messias o viesse libertar, no mundo físico, da opressão romana. Aliás, quando Jesus revela aos discípulos que veio para morrer e para servir, o seu principal discípulo, o antecessor de Leão XIV, Pedro, reage indignadamente. Como era humano, via a vinda do Messias com os olhos do Mundo. Mas Jesus, Leão da Tribo de Judá, veio para dormir com o rebanho e não para o atacar, veio para servir os seus servos e não para fazer deles um exército armado. Esta Mensagem é mais atual que nunca. E Leão XIV personificou-a.

            Quando saiu fumo branco e surgiu o novo Papa, um grande amigo meu referiu que era deste Papa que precisávamos. Na altura não entendi. A época do Conclave é de apoteose, com espectativa e muita emoção. Agora, entendo. E sempre que Leão XIV vem transmitir a público a sua Mensagem, entendo cada vez melhor. Num mundo de guerra, vem trazer a paz. Num mundo de idolatria, a interesses e a homens, vem apontar para Cristo. Num mundo de ódio e divisão, vem apelar à união. E faz tudo isso sem mostrar um pingo de medo, nem de receio. Já o admitiu que os sentiu aquando da sua escolha para suceder ao primeiro Papa sul-americano. Mas após, apenas confiou em Deus e tem sido extraordinariamente guiado, entre ataques cobardes e ameaças, mantendo a sua tranquilidade, serenidade, fé e racionalidade. E faz tudo isso com a qualidade que mais me chama a atenção: o sentido de humor, a alegria e o sorriso, atributos do Espírito Santo muitas vezes ignorados e substituídos pela cara sisuda.

            Como o Leão da Tribo de Judá marcou o Mundo por ser contra os valores do Mundo, também Leão, agora XIV, vem marcar o Mundo por bater o pé contra os interesses globalistas e obscuros. No primeiro aniversário do seu pontificado, este Leão é o deleite do Cordeiro e juntou excecionalmente as suas Ovelhas.

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