No dia 17 de janeiro (sábado), às 21h30, sobe ao palco do Teatro Municipal da Covilhã (TMC~) o músico, poeta e escritor Luca Argel. Este espetáculo marca a muito aguardada estreia em concerto na Covilhã do cantautor luso-brasileiro, após o cancelamento do espetáculo previsto para o dia 22 de agosto, no âmbito do “Verão no Centro Histórico”, devido ao violento incêndio que atingiu o concelho nessa altura.
Residente em Portugal há mais de uma década, o cantautor luso-brasileiro tem vindo a mergulhar no universo das sonoridades afro-brasileiras eletrificadas e tem construído uma obra marcada pela intensa investigação das raízes do samba e das suas conexões com a herança colonial portuguesa. Com o aclamado álbum “Samba de Guerrilha” (2021), resgata a história política do samba, dando voz aos seus protagonistas e destacando o papel crucial que desempenharam na luta contra a escravatura, o racismo, a pobreza e a ditadura militar no Brasil.
Luca Argel tem promovido o cruzamento artístico e as parcerias musicais como uma marca essencial do seu percurso. Entre os projetos que ilustram esta abordagem colaborativa, destacam-se o trabalho com Ana Deus em “Ruído Vário”, as colaborações com o músico e DJ portuense Keso ou com o Homem em Catarse, o inusitado espetáculo com o Coro de Cante Alentejano do Orfeão Universitário do Porto, e a parceria com A Garota Não, que resultou na criação da canção “Países que ninguém invade”.
Em 2023, lançou o disco “Sabina”, inspirado no candomblé e na história do Brasil, onde aborda temas contemporâneos e universais como o racismo, a imigração, a injustiça social e as desigualdades. Este álbum reafirma o compromisso de Luca Argel com a poesia e a música enquanto ferramentas de reflexão e transformação social.
Em 2024, editou o seu sexto álbum de estúdio, “Visita”, um trabalho intimista em registo inédito de voz e piano, ao lado da pianista baiana Pri Azevedo. Este álbum mergulha no repertório pessoal de Luca, recuperando canções nunca antes gravadas, numa abordagem única que reforça a sua versatilidade como artista.
2025 foi um ano especial na carreira de Luca Argel, com a sua participação no Festival RTP da Canção, onde apresentou a composição “Quem Foi?”, um manifesto poético contra a xenofobia e um tributo à resiliência dos imigrantes. Já este ano, no final de janeiro, Luca Argel lança o seu projeto mais íntimo e ousado: “O Homem Triste”, um álbum-conceito que mergulha nas profundezas da saúde mental masculina e na política das emoções, transformando fragilidade em força e silêncio em música.
No palco, Luca Argel mescla sonoridades afro-brasileiras com toques de rock, funk e, claro, samba, sempre carregadas de belíssimos poemas e mensagens que emocionam e fazem pensar. Nesta estreia em concerto na Covilhã, o músico apresenta-se em trio e promete um espetáculo vibrante, solar e inesquecível, onde ninguém fica indiferente.