Opinião: Marcos Leite | Eleições no Brasil
Por Jornal Fórum
Publicado em 08/10/2026 09:00
Opinião

No último domingo, dia 4 de outubro, os brasileiros foram às urnas para uma nova eleição geral. Desta vez, estava em disputa a cadeira da Presidência da República, 54 das 81 vagas para o Senado Federal, Câmara dos Deputados (o Brasil tem o parlamento bicameral), Governadores de Estado e Deputados Estaduais. O grande favorito, Lula da Silva, amargou sua maior derrota de todos os tempos, enquanto seu adversário político, a família Bolsonaro, mesmo com o pai preso, elegeu a esposa, a ex-mulher, três filhos e muito mais.

À primeira vista pode parecer que o Brasil virou à extrema-direita. Esta é a análise rasa que alguns cientistas políticos devem fazer. No entanto, o que se viu foi uma democracia cansada de um grupo político que domina a cena há mais de quarenta anos. Significa dizer que, se os cientistas políticos forem às ruas do Brasil perguntar aos eleitores o que é «extrema-direita», eles são capazes, ou de responder que não sabem, ou, se induzidos, dirão que é o fim de uma rua. Engana-se profundamente quem acredita que os brasileiros escolheram a extrema-direita. Ao contrário, o que se viu, com exceção dos Estados do Nordeste, foi uma avassaladora derrota de um grupo político marcado pela sucessão de escândalos de corrupção.

Outra evidência disso diz respeito aos votos que a esquerda teve fora do Brasil. Se dependesse dos eleitores que vivem longe, Lula da Silva seria o presidente e o modelo político brasileiro permaneceria o mesmo. O motivo? Simples. Quem vive na Europa, ou mesmo em Portugal, não consegue ter a dimensão de quão difícil foi viver no Brasil nos últimos anos. Se estava ruim no tempo de Jair Bolsonaro, cujo mandato cumpriu em meio a três anos de Pandemia, Lula da Silva conseguiu deixar o país em uma situação muito pior. As urnas falam por si.

Embora a eleição presidencial ainda dependa de uma segunda volta, marcada para o próximo dia 25 de outubro, dificilmente Lula da Silva conseguirá mudar os rumos da eleição. Se vencer, o que é tido como um improvável milagre, não conseguirá governar. Vamos lembrar que a esquerda falou mal até da Padroeira do Brasil durante a campanha eleitoral. Se até aqui Lula da Silva foi reconduzido ao poder pelas manobras judiciais do Supremo Tribunal Federal, o próprio tribunal corre sérios riscos de ter sua composição alterada. Escândalos e mais escândalos envolvem os principais aliados indicados por Lula da Silva na Suprema Corte. Com a esmagadora vitória dos aliados do bolsonarismo no Senado, os mais de 100 pedidos de impeachment, que se encontram travados naquela casa legislativa, tendem a ser destravados. O resultado é simples. Haverá uma faxina na Suprema Corte do Brasil.

Seja como for, é importante que brasileiros e portugueses saibam. A vitória do bolsonarismo nas urnas e a provável vitória de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República não representa uma fonte de esperança ou de mudança. Neste momento os eleitores usam, novamente, um candidato para excluir o outro. Há muito por ser feito além de enviar Lula da Silva para o ostracismo e restabelecer a confiança nas instituições, a começar pelo Supremo Tribunal Federal. Há riscos com a chegada da extrema-direita? Há sim, mas o que dizer quando é o povo quem mais ordena?

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