Inaugurada no âmbito do Festival Portas do Sol, a exposição “Grandeza e decadência da civilização”, da autoria do francês Jean-Baptiste Champion, continua patente ao público até ao dia 28 de julho.
De terça a domingo, entre as 10:00 e as 18:00, é possível apreciar na Galeria António Lopes variadas peças em fotografia, desenho e cianotipia. Semelhantes a autênticas esculturas ou peças de arte decorativa, as fotografias de autor de Jean-Baptiste Champion afirmam-se como verdadeiras obras de arte.
O fotógrafo francês retrata assim a Covilhã, usando técnicas mais ou menos convencionais, através das quais faz uma reflexão sobre o património, acerca da forma como potenciamos ou desperdiçamos a grandeza dos lugares carregados de vivências e de história.
SOBRE A EXPOSIÇÃO
Entre a construção e o desaparecimento, esta exposição percorre um caminho em que o olhar se foi moldando ao longo de diferentes disciplinas - das artes aplicadas à arquitetura de interiores e, mais tarde, à arquitetura -, sempre guiado pela reflexão sobre aquilo que o ser humano constrói e sobre aquilo que o tempo inevitavelmente desfaz.
O desenho e a fotografia assumem-se aqui como instrumentos de exploração, formas de captar vestígios, tensões e marcas do passado. A imagem oscila entre a precisão e a transformação, entre a memória e o desaparecimento. Seja analógica ou digital, confronta-se tanto com a matéria do mundo como com a ação do tempo.
Os processos fotográficos tradicionais, como a cianotipia, e o trabalho de laboratório realizado pelos métodos clássicos, prolongam esta investigação, reintroduzindo o acaso, a lentidão e a marca da matéria. Conferem à imagem uma dimensão de fragilidade, na qual cada prova se torna um vestígio, quase uma relíquia de um instante.
Através destes fragmentos, desenha-se uma reflexão sensível sobre as nossas construções humanas: a tensão, ou a coexistência, entre o ser humano e a natureza, a sua ambição, a sua beleza e a inevitável erosão provocada pela passagem do tempo.