Opinião: Manuela Cerdeira | Covilhã: Don´t Worry Be Happy
Por Jornal Fórum
Publicado em 30/04/2026 09:00
Opinião

A Covilhã neste últimos anos, tornou-se numa cidade de promessas e como bem diz a música, “Don´t Worry Be Happy”, ou seja, “Não se Preocupe, Seja Feliz”  é de fato algo, que se aplica na perfeição não só à cidade mas sim a todo Concelho da Covilhã.

E é mesmo verdade, para quê preocuparmo-nos com o rumo desta pobre cidade, que continuamente cai nas mãos de socialistas, que olham mais para o seu umbigo do que para a própria cidade, que está cada vez mais abandonada, mais mal tratada e muito pouco cuidada e que definitivamente, não serve os interesses dos seus munícipes, nem daqueles que decidiram fazer desta Concelho, o seu porto seguro.

Existe uma clara falta de resposta rápida, por parte deste novo e ao mesmo tempo velho executivo, a toda uma série de problemas acumulados de anos anteriores, tais como estradas cheias de buracos, serviços básicos fechados, como é o caso das casas de banho públicas, equipamentos abandonados, como é o caso do polo desportivo e até dos jardins, que em tempos que já lá vão, eram muito bem tratados e ainda lembrar a grande falta de respostas sociais, tudo serviços que uma câmara que se preze, deve mostrar sem demora, uma solução rápida.

Mas “Don´t Worry”, porque enquanto existirem verbas para grandes espetáculos, para se comemorarem as datas mais históricas, vamos alegrando o povo com fogo de artificio, cantores para animarem a malta, porque o que faz falta mesmo, é animar a malta e que eu saiba, governar não é iludir, mas sim dar respostas e a ilusão, é algo que o Socialismo, sempre soube trabalhar muito bem.

Mas estas datas, são também elas marcos, marcos que nos obrigam a pensar, o que realmente somos e o que realmente fazemos enquanto comunidade, porque estes não são só momentos de celebração, são marcos que devem ser essencialmente de exigência democrática e chegados aqui, encontramos o famoso problema, pois quando a animação toma o lugar da ação, o que por estas bandas é lei, estamos perante uma clara falta de governação.

É muito mais fácil “animar a malta” com a organização de eventos, onde se fazem os belos discursos e multiplicam-se as presenças institucionais, não esquecendo ainda os famosos lambe botas, que andam sempre a rondar, para ver se pescam alguma coisa.

E tudo ista acaba por formar vários artífices tais como, gerar um grande movimento, gerar uma bela imagem da cidade, gerar a ocupação do espaço público, mas tudo isto não pode nem deve nunca substituir o essencial, porque um concelho forte, faz-se com soluções e o futuro, constrói-se não com palavras, mas sim com ações e com grande responsabilidade, porque as pessoas não vivem de discursos, vivem sim das condições reais, que encontram todos os dias.

Como é possível atrair jovens, para uma cidade que continua parada no tempo, que não se vê evoluir, que não atrai investimento que crie emprego qualificado, que tem falta de uma zona industrial forte e moderna, que tem falta de apoio ao empreendedorismo porque ele é pouco ou nenhum e sem empresas, toda a gente sabe que não existe fixação de nada nem de ninguém.

Mas os problemas da fixação de jovens, acabam por se agravar mais com a falta de infantários, com os  transportes a funcionarem deficientemente, com autocarros que já deveriam ser elétricos e mais pequenos, porque esta cidade de montanha, necessita de autocarros mais pequenos e com maior eficiência de horários e assim, poder-se-iam melhorar os preços dos bilhetes, que são uma exorbitância e reduzir essa grande poluição, que os atuais autocarros produzem.

Necessitamos de mais espaços verdes e de um novo local para realizar a famosa feira de São Tiago, que ao mesmo tempo poderia ser uma zona, que conseguiria ser rentabilizada com concertos interessantes ou outro tipo de programação de animação, que por sua vez poderiam atrair à cidade, população não residente.

Em suma, a Covilhã vive um paradoxo, tem uma universidade que atrai jovens para estudar, mas não os consegue fixar, tem a Serra da Estrela, essa zona montanhosa e bem famosa pela sua beleza natural e que é sem dúvida um património único e que nos proporciona uma boa qualidade de vida, mas falta-lhe uma economia forte e dinâmica e sobretudo, governantes mais ativos e com pensamentos mais à frente.

É fulcral atrairmos mais empresas, que proporcionem emprego qualificado, precisamos de melhorar a imagem urbana e isso faz-se, resolvendo problemas básicos, precisamos de um maior apoio real aos jovens no que toca à habitação e a creches e isso passa pela coragem de tomar decisões e para que a Covilhã não passe apenas de uma cidade de passagem e para que seja sim uma cidade de futuro para jovens, torna-se necessário urgentemente, existirem menos discursos, menos vídeos e menos promessas e passarem sim a existir, mais resultados visíveis no terreno o que, em meio ano de governação, deveria ser já mais do que evidente.

“Don´t Worry Be Happy”, porque enquanto não tivermos qualidade na governação, equilíbrio entre estado e economia, transparência e responsabilidade, a Covilhã será sempre uma cidade sem permanência e tornar-se-á numa cidade inevitavelmente envelhecida e sem ambição.

Isto é sem dúvida um cenário possível, mas não obrigatório.

Esse declínio silencioso, pode sempre ser invertido, mas para que esse cenário seja invertido, necessitamos de governantes com maiúscula e que pensem a cidade com uma visão de futuro e não desses gestores do imediato e da exposição nas redes sociais, onde a preocupação em aparecer, é maior do que a preocupação de apresentar trabalho, tal como não necessitamos também, desses alimentadores de um Estado inchado e que só servem acima de tudo, para aumentar a carga fiscal local.

A Covilhã para entrar em modo de “Don´t Worry”, necessita de governantes decisores e que sejam capazes de olhar para a cidade, bem para lá do presente, só assim o concelho da Covilhã poderá chegar ao “Be Happy”.

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