António José Martins Seguro, nasceu a 11 de março de 1962, em Penamacor. É uma das figuras de referência da política portuguesa contemporânea e candidato às eleições presidenciais do próximo mês. Com formação em Ciência Política pelo ISCTE e em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa, Seguro construiu uma carreira longa e multifacetada que incluiu funções de diversa índole. Ao longo de décadas de intervenção pública foi deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, exerceu cargos de secretário de Estado e ministro em governos liderados pelo Partido Socialista, tendo sido secretário-geral da JS e também do PS, este entre 2011 e 2014, derrotado por António Costa e, consequentemente, afastou-se gradualmente da vida política ativa até regressar à arena pública nesta corrida presidencial.
O seu discurso está centrado no “amor a Portugal” e fora dos jogos partidários. Marca, de forma afincada, a intenção de servir o país e procura distanciar-se do Partido Socialista, isto apesar do facto de que o próprio partido ter aprovado formalmente o apoio à sua candidatura, numa decisão marcada pela confiança no seu percurso e compromisso com os valores democráticos e constitucionais que Seguro representa.
No espectro ideológico, Seguro posiciona-se publicamente como um representante de uma esquerda moderna e moderada, ancorada nos princípios do socialismo democrático, da social-democracia, do europeísmo e da justiça social. Um conjunto de valores que António José Seguro diz ter defendido ao longo de toda a sua carreira política e que pretende colocar no centro da vida pública do nosso país. Promete um exercício presidencial condizente com a Constituição e quer funcionar como um árbitro das instituições democráticas. Aponta para um estilo de liderança menos interventivo e mais agregador do que aquele que tem sido praticado pelo atual chefe de Estado.
Entre as suas prioridades estão o acesso à habitação, o reforço do SNS e a formação de consensos amplos para que se consigam enfrentar com sucesso problemas estruturais. Além disso, sublinha que o cargo de presidente exige independência e que o seu papel é agregador, de união, e nunca de divisão. Seguro tem um percurso político marcado por uma grande experiência o que lhe confere a autoridade técnica e institucional que valoriza o debate público e a gestão das instituições democráticas, em Portugal.
No entanto, a sua trajetória política também lhe traz alguns desafios e riscos eleitorais. A sua imagem carrega alguns vestígios de derrotas passadas do Partido Socialista, prova disso é a contestação interna que alguns segmentos do Partido fizeram questão de demonstrar. Numa política de espetáculo como é aquela que vivemos nos dias de hoje, Seguro poderá ter algumas dificuldades em adaptar-se ao estilo dos seus principais adversários e poderá ter alguns constrangimentos no que diz respeito à mobilização de eleitorado em torno da sua imagem e da sua candidatura.
Ainda assim, António José Seguro oferece aos eleitores um perfil de candidato que combina décadas de experiência política com uma narrativa de renovação, com o desejo de fazer diferente. Demonstra independência institucional e compromisso com os valores basilares da democracia. O equilíbrio entre a continuidade das políticas do Estado e a mudança será, provavelmente, um dos eixos que não só definirão a sua campanha, mas também impactará certamente o resultado das eleições.