ULS da Cova da Beira estende cirurgia robótica à Urologia
Por Jornal Fórum
Publicado em 02/11/2026 10:22
Saúde

Depois da Cirurgia Geral, da Ortopedia e da Ginecologia, a Urologia passa também a integrar a atividade de cirurgia robótica da ULS da Cova da Beira (ULSCBEIRA).

As primeiras duas intervenções realizaram-se no passado dia 16 de outubro, para tratamento do cancro da próstata. Os dois doentes tiveram alta na manhã seguinte, num início de atividade que reforça a diferenciação dos cuidados cirúrgicos disponíveis na região.

Com a realização destas duas prostatectomias radicais robóticas, a ULSCBEIRA assinala uma nova etapa na capacidade assistencial do Serviço de Urologia. Este avanço representa uma aposta estratégica na modernização da resposta assistencial e na equidade no acesso a cuidados de saúde altamente diferenciados, aproximando a inovação das populações da Beira Interior.

As duas primeiras intervenções foram conduzidas pelo Dr. Bruno Jorge Pereira, cirurgião urologista responsável pela implementação desta abordagem na ULS da Cova da Beira, e pelo Dr. Diogo Carneiro, cirurgião urologista do Hospital de Santo António, no Porto, com elevada experiência na área da cirurgia robótica.

Para o Dr. Bruno Pereira, o início desta atividade tem um significado que ultrapassa a dimensão tecnológica: «Mais do que a introdução de uma nova tecnologia, este passo representa a concretização de uma aposta estratégica na diferenciação clínica, na inovação e na equidade no acesso aos cuidados de saúde.»

A disponibilização desta resposta permite reduzir a necessidade de deslocação dos utentes para outros centros hospitalares e reforçar a capacidade assistencial da instituição. «Pela sua localização geográfica e pela sua área de influência assistencial, a ULS da Cova da Beira tem condições para assumir um papel central na disponibilização de cirurgia robótica a uma população alargada da Beira Interior, contribuindo para a coesão territorial e para a redução das assimetrias no acesso à inovação em saúde», salienta o especialista.

Acrescenta ainda que «este investimento representa igualmente uma oportunidade para atrair e fixar profissionais altamente diferenciados e reforçar a capacidade formativa e científica da instituição».

Para o Dr. Bruno Pereira, a cirurgia robótica tem particular relevância na Urologia, nomeadamente no tratamento de doenças oncológicas. «Entre os procedimentos que podem beneficiar desta abordagem encontram-se a prostatectomia radical no cancro da próstata, a nefrectomia parcial ou radical no cancro do rim e, em casos selecionados, a cistectomia radical no cancro da bexiga», explica. Existem igualmente aplicações em cirurgia reconstrutiva do aparelho urinário, como a pieloplastia e a reimplantação do ureter na bexiga, estando prevista uma intervenção deste último tipo para hoje, dia 30 de outubro.

A seleção dos doentes para cirurgia robótica é efetuada individualmente, tendo em consideração «a patologia, o estádio da doença, as características clínicas do doente, os benefícios expectáveis da abordagem robótica e a experiência da equipa cirúrgica. A decisão deve ser sempre fundamentada em critérios clínicos e científicos, assegurando que a técnica escolhida é a mais adequada a cada situação», esclarece o urologista.

A cirurgia robótica combina uma abordagem minimamente invasiva com visualização tridimensional de alta definição e instrumentos articulados, permitindo executar movimentos de elevada precisão. Estas características podem traduzir-se em menor perda de sangue, redução da dor pós-operatória e recuperação mais rápida, dependendo da situação clínica e do procedimento realizado. A título de exemplo, os doentes operados no dia 16 de outubro regressaram a sua casa na manhã do dia seguinte.

No tratamento do cancro da próstata, a precisão da dissecção assume particular relevância na preservação de estruturas importantes para a recuperação da continência urinária e da função sexual, sempre que tal seja oncologicamente seguro.

Para a equipa cirúrgica, a plataforma robótica proporciona vantagens técnicas e ergonómicas, nomeadamente pela visualização ampliada, pela articulação dos instrumentos e pela possibilidade de executar movimentos delicados em espaços anatómicos confinados. Estas características permitem potenciar as competências do cirurgião e realizar procedimentos complexos através de uma abordagem minimamente invasiva.

O cirurgião sublinha, contudo, que a qualidade dos resultados depende da conjugação entre tecnologia, experiência e trabalho de equipa: «O equipamento constitui uma ferramenta de excelência ao serviço da competência clínica e não um substituto da experiência e do julgamento médico.»

O arranque desta atividade exigiu planeamento, preparação dos profissionais e adaptação dos circuitos assistenciais às especificidades da plataforma robótica Hugo RAS. A experiência dos cirurgiões envolvidos, aliada à preparação das equipas de anestesiologia e de enfermagem e ao contributo dos assistentes operacionais, foi determinante para concretizar esta nova resposta.

«O desenvolvimento do programa contou igualmente com o empenho inexcedível do diretor do Serviço de Urologia da ULS da Cova da Beira, Dr. José Leitão, e com o apoio do Conselho de Administração e da Direção Clínica, traduzindo um compromisso institucional com a inovação, a valorização dos profissionais e a melhoria dos cuidados prestados à população. O objetivo é fazer deste primeiro passo o início de um programa consistente, ambicioso e sustentável, capaz de disponibilizar aos nossos utentes cuidados cirúrgicos cada vez mais diferenciados e alinhados com o que de melhor se faz atualmente na Urologia», conclui.

Com o alargamento da cirurgia robótica à Urologia, a ULSCBEIRA reforça o seu compromisso com um Serviço Nacional de Saúde mais próximo, diferenciado e capaz de fazer chegar a inovação aos territórios e às pessoas que serve.

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