A Câmara Municipal de Idanha-a-Nova manifestou publicamente a “sua grande preocupação face a decisão do Governo espanhol de prolongar o funcionamento da Central Nuclear de Almaraz até 8 de junho de 2030”.
A autarquia considera que “adiar encerramento de uma infraestrutura com mais de quatro décadas de atividade representa uma ameaça ambiental, económica e de segurança latente para toda a Beira Baixa, a Região e o País, e em particular, para o concelho de Idanha-a-Nova”.
Localizada a escassos 100 quilómetros da fronteira portuguesa e dependente diretamente do Rio Tejo para a refrigeração dos seus reatores, a Central de Almaraz constitui um fator de risco inaceitável. Por isso, o Município de Idanha-a-Nova “não pode pactuar com a manutenção de um modelo energético assente no risco nuclear”.
“Qualquer falha técnica ou acidente na central teria consequências catastróficas e irreversíveis para o caudal do Rio Tejo, destruindo os ecossistemas, contaminando os recursos hídricos vitais e desferindo um rude golpe na agricultura, no turismo e na qualidade de vida das populações que dependem diretamente desta bacia hidrográfica. Face à gravidade desta decisão unilateral, a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova exige que o Governo de Portugal assuma uma posição firme, junto de Madrid e das instâncias da União Europeia. É urgente travar este prolongamento e fazer valer o princípio da precaução e os tratados internacionais de segurança ambiental transfronteiriça”, diz a autarquia no comunicado enviado à imprensa.
O município reafirma que o futuro da Península Ibérica deve “ser desenhado exclusivamente com base nas energias renováveis e limpas, e não na extensão artificial da vida útil de reatores nucleares de segunda geração que já cumpriram o seu ciclo”.
“A Câmara Municipal de Idanha-a-Nova continuará a articular esforços com os municípios vizinhos, organizações ambientalistas, com a Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa e movimentos de cidadãos para contestar esta medida por todas as vias institucionais e políticas disponíveis. A segurança, o património natural e o futuro das nossas populações não são negociáveis”, conclui.