O Município de Idanha-a-Nova submeteu um parecer desfavorável ao Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER), manifestando oposição à instalação de projetos de grande escala que, segundo a autarquia, possam provocar impactos ambientais permanentes e irreversíveis.
A tomada de posição já tinha sido anunciada pela presidente da Câmara Municipal, Elza Gonçalves, durante a reunião descentralizada do executivo realizada, a 22 de junho, na Junta de Freguesia do Ladoeiro, tendo sido agora formalizada através da plataforma oficial do programa.
No parecer, o município considera que a preservação da paisagem é essencial para o concelho e contesta a degradação visual e a descaracterização morfológica associadas à instalação de megacentrais de produção de energia. Segundo a autarquia, as infraestruturas previstas representam um impacto cumulativo de 5.351 hectares, cerca de 4% da área total do concelho.
Apesar da oposição ao modelo proposto, o município reafirma o apoio à transição para fontes de energia limpa, defendendo soluções descentralizadas, o aproveitamento de áreas já artificializadas, o incentivo ao autoconsumo e o desenvolvimento de comunidades energéticas de pequena escala.
No documento, a autarquia afirma rejeitar "a implementação de projetos de escala massiva que descaracterizem o património natural e comprometam o progresso local".
Citada na nota divulgada pelo município, a presidente Elza Gonçalves afirma que continuará a "defender com intransigência a qualidade de vida dos Idanhenses e das gerações futuras", considerando que as metas nacionais de descarbonização não devem comprometer os recursos e o património do território.