Autarquia da Covilhã exige a reabertura integral da Linha da Beira Baixa
Por Jornal Fórum
Publicado em 06/03/2026 18:09
Sociedade

A Câmara Municipal da Covilhã exige ao Governo a “rápida reparação” e a reabertura integral da Linha da Beira Baixa, que se encontra parcialmente cortada, o que na que na prática deixa o território sem ligação ferroviária até Lisboa e sem uma das vias fundamentais para as exportações nacionais.

A exigência está plasmada numa moção apresentada pelo Presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, na sessão do executivo desta sexta-feira, tendo sido aprovada por unanimidade.

O documento reitera a importância da Linha da Beira Baixa como “uma infraestrutura ferroviária estratégica para a mobilidade, coesão territorial e desenvolvimento económico da Beira Interior”, que “tem assegurado a ligação entre populações do interior e os principais centros urbanos do país, sendo um elemento essencial para combater o isolamento e promover a igualdade de oportunidades entre territórios”.

Lembrando que a “interrupção prolongada” tem origem nos danos provocados pelas recentes tempestades, a moção também salienta que a decisão de suspender o serviço intercidades se traduz “em graves consequências para a mobilidade das populações da região”.

“É uma situação que afeta diretamente milhares de cidadãos que dependem do transporte ferroviário para trabalhar, estudar ou aceder a serviços essenciais”, lê-se no documento. 

Está igualmente sublinhado que “além da ligação à capital “as ligações dentro da região também foram drasticamente reduzidas”, sendo que no caso concreto do troço entre Covilhã e Guarda se passou de cerca de 10 comboios diários para apenas quatro, “o que compromete seriamente a possibilidade de deslocações diárias para consultas médicas, trabalho ou ensino dentro das necessidades horárias que esses compromissos implicam”.

“Esta realidade agrava ainda mais as dificuldades de mobilidade numa região já marcada por carências históricas em transportes públicos e por profundas assimetrias territoriais”.

É ainda manifestada preocupação por a Linha da Beira Baixa ficou excluída dos investimentos previstos no Plano Ferroviário Nacional.

Outro dos aspetos destacados prende-se com o facto de esta linha ser utilizada para circulação de comboios de mercadorias; “determinantes e fundamentais para alavancar os serviços de exportação de produtos no território nacional, que assim não serão realizados”.

Deste modo, a moção exige a intervenção governamental quer para a reparação e reabertura da linha, com a reposição imediata de uma oferta ferroviária adequada, incluindo serviços Intercidades ou equivalentes, que assegurem ligações eficazes entre Guarda, Covilhã, Fundão, Castelo Branco e Lisboa.

Defende a necessidade de criar um plano alternativo de mobilidade através da Linha da Beira Alta e a inclusão da Linha da Beira Baixa nos investimentos estratégicos nacionais, designadamente no âmbito do Plano Ferroviário Nacional, assegurando a sua modernização e valorização futura.

Por outro lado, solicita medidas mitigadoras imediatas enquanto persistir a interrupção, nomeadamente reforço de serviços ferroviários e soluções alternativas que garantam a mobilidade das populações.

O documento será remetido ao Governo da República, ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, à Infraestruturas de Portugal, à CP – Comboios de Portugal, bem como às autarquias e entidades da região da Beira Interior.

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