Diretor: Vitor Aleixo
Ano: XI
Nº: 550

«O rei na barriga» Voltar

Na semana passada li um texto do Papa Francisco sobre os pobres, os necessitados e os mais frágeis. Fiquei a pensar durante alguns minutos. E aquelas frases faziam tanto sentido. Os dias que correm trazem correria, e um desenfreamento pelo consumismo, sem tempo para pensar naquele que está ao nosso lado. Digo mesmo que hoje se vive com «o rei na barriga», sem olhar para o lado.

Portugal é um país pequeno, pouco mais de dez milhões de habitantes, e acredito mesmo que se houvesse mais entreajuda teríamos menos pessoas a viver com dificuldades.

Olho para o nosso lado, na nossa região e mesmo aqui na Covilhã e a realidade é um pouco igual. Aliás há uma instituição que ajuda cerca de 500 famílias, que perfazem centenas e centenas de pessoas. Agora imaginemos a realidade em Lisboa ou no Porto, e isto tudo num país «à beira-mar plantado».

Hoje a maioria das pessoas olha para o superficial, para o supérfluo, para o exterior e quase nunca para o interior. Olham para o luxo, os vestidos, os sapatos e as joias e não olham para que o está dentro do coração.

E cometem um erro crasso. Não pensam que hoje é o outro que necessita, e amanhã podem ser eles, porque a vida muda, dá voltas como um carrossel e gira, gira, gira.

Há uma coisa que o tempo me ensinou, temos mais a aprender com o outro do que connosco mesmos, e por vezes os problemas, as tribulações e as pedras no caminho fazem-nos crescer muto mais que a fartura.

Quando escrevo sobre estas situações, ou observo algo deste género que não me agrada, penso sempre na Bíblia, e no Evangelho de São Lucas, que tanto sentido faz nos dias de hoje, e no que observamos na fria luz do dia: 

«Quando deres algum jantar ou alguma ceia, não chames nem teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos que forem ricos, para que não aconteça que também eles te convidem à sua vez, e te paguem com isso; mas quando deres algum banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, porque esses não têm com que te retribuir». (Lucas, XIV: 12-15).

Porque a maior retribuição é a consciência tranquila, a boa-fé, o amor no coração e a partilha com os outros.

- 21 nov, 2022