Diretor: Vitor Aleixo
Ano: XI
Nº: 550

Vera Lúcia Pinto une as histórias de fisioterapeuta à escrita e apresenta dois romances Voltar

No passado dia 5 de novembro, a Biblioteca Municipal da Covilhã recebeu a apresentação do livro “Os Milagres da Senhora das Águas”, de Vera Lúcia Pinto. A obra foi lançada em junho e fala de uma aldeia fictícia inspirada nas origens da própria autora, que nasceu em Santa Marinha de Seia.

Porém, a história tem uma origem diferente. Fisioterapeuta no CHUCB de profissão, a escritora foi bebendo de todas as pessoas que passaram pelas suas mãos e muitas das personagens nasceram dessa sede de ouvir pessoas.

 

Souto das Flores

Este livro passa-se numa aldeia beirã fictícia na década de 70, porque pode acontecer tudo o que a escritora quiser: «Assim não estou presa a factos», referiu Vera ao nosso jornal. Tudo gira em volta dos milagres e da água, que muitas vezes salvam os pastores e os seus rebanhos.

Para além disso, há também a Dona Urbaninha, uma professora reformada, que se sente sozinha na grande Casa Amarela, e decide que está na hora de mudar de vida.

Contra a vontade da empregada Lourdes, começa a alugar quartos aos peregrinos que visitam a ermida da Senhora das Águas em Souto das Flores.

Com isto, a vida da pequena aldeia muda radicalmente. Recebendo agora imensas pessoas, incluindo Agostinho que se torna professor primário e que ajuda ainda mais na mudança do paradigma com as suas críticas à sociedade com temas bastante atuais.

A nome terra que tem origem num lugar alto, com uma capela, e “das flores”, «porque achei que ficava giro», atirou a escritora.

 

“Quando o amor nos Entretece”

Para além do livro anteriormente referido, foi também apresentada a obra “Quando o Amor nos Entretece”, também ele da mesma autora, desta vez apresentado por Andreia, uma amiga de Vera. Este titulo foi só agora apresentado, devido à pandemia, já que foi lançado em junho do ano passado.

«Ler este livro é ficar a conhecer um pouco mais sobre a indústria dos Lanifícios na década de 60», realçou a apresentadora.

É a história sobre uma mulher que vem de uma família abastada da Covilhã. Faz-nos perceber a história por trás das lãs, dos operários, dos patrões e da expansão deste setor.

Faz-nos perceber também como foi a emancipação da mulher no meio covilhanense. A mulher abastada junta-se a muitas outras senhoras e corre em busca daquilo que são os seus sonhos de construir um império sempre ligado às lãs e à Covilhã.

O livro refere também a vida dos pescadores de Figueira da Foz, perto de onde a autora estudou. «Transporta-nos para essas realidades. Por vezes ficavam no mar, o que é triste, mas é real», acrescentou Andreia. Este tipo de histórias mostra-nos o caráter forte da personagem.

- 19 nov, 2022