Diretor: Vitor Aleixo
Ano: XI
Nº: 550

Sim, passa a haver dois Brasis Voltar

A hipótese do extremismo poder vigorar, não advém unicamente, e nem fundamentalmente da falta de capacidade racional avaliativa. Quem clama e proclama a extrema-direita ou por ela anseia em surdina, não o faz por conceber que a sua vida melhorará, que o país ficará melhor, que é uma oportunidade para crescer: fá-lo na consciente ou inconsciente sensação, de vingar o mal próprio fazendo penar de dificuldade maior ou igual os demais. “Agora vão ver como é… acabou a festa”.

Percebo que quem vive mal, quem não tem o mínimo para a dignidade existencial, quem vive rodeado pela miséria, pela escassez, pela vida sofrida (normalmente causada por álcool, drogas, ou depressão crónica) se agarre a estes partidos: nada têm a perder.

Depois há os outros, os que não sendo miseráveis, gostam de se afirmar baseados na sua capacidade adquirida na universidade da vida, os G.I. JOE justiceiros heroicos de combate aos maus que eles identificam, os alterados pelo ódio por razões díspares, mas que se revoltam devido aos diabos que trazem continuamente dentro. Uns e outros assumem a postura do acólito da fé ou guerrilheiro a quem é dada a nobre missão de defender deus ou a pátria dos infiéis e invasores. Aí estão eles no esgoto das redes sociais, a massacrar forte e feio com impropérios e ameaças. De argumentos, a corrupção dos políticos, o RSI dos ciganos, a invasão dos pretos, questões que nunca racionalizaram, seja por não terem sido cadeiras da tal frequentada academia, ou apenas pelo tédio de ler e pensar. Percebo-os portanto. Tem lógica.

Por isso, não se suponha que criaturas apaixonadas por Bolsonaro, metam a viola no saco, muito menos, aceitem o processo eletivo com democracia. O Ex-presidente e seu séquito de bardamerdas ficará como raposa à porta do galinheiro, deixando Lula governar – não têm outro remédio nem o capital partidário que evitaria uma longa prisão em caso de tentativa semelhante à de TRUMP. Portanto, vai o fulano dedicar-se a acender rastilhos na hora certa para inflamar a multidão de fiéis, vai usando o ódio e a pobreza a seu belo prazer e aproveitar a mais que certa dificuldade governativa de Lula – pela crise internacional e o epíteto de corrupto colado pelo Juiz Moro a seu serviço. Esperam a capitulação da esquerda, para definitivamente se apoderarem do que cuidam será seu. Estou a escrever na terça-feira de manhã e Bolsonaro ainda não falou. Quando o fizer, suponho ir ouvir uma espécie de pai, que nunca abandonará seus filhos, e que lutará - com a ajudada de deus - para destruir os infiéis.

 

125 Euro

Ninguém os queria, todos os procuram na conta. Há os normais, que comeram e calaram, porque dinheiro dado sempre dá jeito. Há os revoltados que, tendo vida má demais, não é esta verba que adiantará nada e por isso clamam, mostrando que não comem gelados com a testa. Depois há os outros, que orgulhosamente se lambuzam de ego mostrando não precisam nem aceitarem esmolas; que o Costa meta os 125 no respetivo.

De facto, 125 não é fortuna para ninguém, mas dado,  certamente terá de ser bem vindo… certamente é maior proveito que o resultado de uma hora de fila para encher o combustível dois cêntimos mais barato…

Já agora, a talho de foice e com contas de mercearia, 125 euros, são 1 000 000 000 de euros, que entregues às pessoas, circularão pelo país.

Aqui  vos deixo uma pequena história que em tempos me foi contada por um amigo dessas andanças do capital, sobre a circulação do dinheiro e sua importância:

A um Hotel chegou um hóspede que antes de decidir pernoitar, quis ver as condições do quarto e espaços comuns. Para tal, foi-lhe dito pelo rececionista, que teria de fazer o “check in “ por 100 euros, mas que, se porventura o quarto não fosse do seu agrado, o valor seria devolvido.

Assim foi feito, e o hóspede lá deixou os 100 euros, indo com o rececionista ver o quarto.

O gestor do hotel, estava enrascado com o que fazer, dado que, devido à divida de 100 euros que tinha no talho, não poderia ir buscar carne para os almoços; ao ver 100 euros na caixa, imediatamente foi pagar a dívida e aviar carne para preparar.

O Talhante, respirou de alívio ao receber os 100 euros, porque devia exatamente a mesma quantia no mecânico que lhe retinha a camionete até que fosse pagar a divida. Imediatamente foi entregar os 100 euros ao mecânico que lhe deixou sair a carrinha.

 O mecânico, que andava a sofrer ameaças de uma prostituta de quem requisitara préstimos amorosos e a quem devia 100 euros, foi pagar à mulher para ficar livre da pressão e ameaças.

A mulher, devia 100 euros no hotel e não podia levar mais clientes enquanto não pagasse. Dirigiu-se ao hotel e entregou o dinheiro ao rececionista que já tinha regressado com o hospedeira quem não tinha agradado o quarto, não querendo ficar.

O Rececionista, pegou nos 100 euros entregues pela prostituta e devolveu-os ao homem, que abalou.

Conclusão: os 100 euros que o hóspede deixou enquanto foi ver o quarto, pagaram a divida do hotel, do talho, do mecânico e da prostituta, tendo por fim regressado à posse inicial.

Cento e vinte cinco euros não enriquecem, mas resolvem alguns problemas a muita gente. Mil milhões ainda mais.

 

União Soviética

É tão criminosa, desumana, chauvinista e xenófoba, a invasão russa e seu continuado exercício, que não há já necessidade de argumentação composta para o atestar. A civilização humana está a ser atacada pelos soviéticos. Sem erro: Soviéticos, porque é isto que o mortal Putin quer: fazer genufletir o mundo e merecer com isso ser embalsamado. Triste desígnio este. Ucrânia, para ele, não é povo. Não existe.

Um claro exemplo de que o extremismo – direita ou de esquerda que seja – não pode ter lugar na organização das sociedades humanas. Estes, defendam o que defenderem, berrem o que berrarem, prometam o que prometerem, chegados ao poder, tornar-se-ão a curto ou médio prazo, uma máquina dilaceradora da liberdade e da paz; entram pela democracia, e de seguida, assassinam-na estabelecendo a autocracia das ditaduras. Eternizam-se. Hoje vemo-los a destruir cidades, torturarem e assassinarem militares e civis, ameaçar o mundo com o nuclear, matar à fome milhares de africanos a quem se destinavam os cereais Ucranianos usurpados, destruírem todo o sistema elétrico de um país, e falarem ainda assim -com deceção minha também por cá o PCP - em operação especial militar.

 

Inglaterra

Orgulhosamente sós. Orgulhosamente à deriva.

Aí está a grande Inglaterra que de tão grande cuidou poder ser a parte, maior que o todo: BREXIT. Quebrar elos de comunidade satisfazendo orgulhos de raízes, naturalidades, feudos.

Aí estão sós, num caminho indefinido, com o Reino a aproveitar para também ele requerer velho estatuto: eu Irlanda, eu Escócia, quiçá eu Gales. Vai-se a ver, e temos as novas gerações de Ingleses, desiludidos com o seu país, porque percebem que o mundo é um pequeno quintal onde homens de todas as nações devem construir pontes e não mais muros; que o isolamento é próprio de conceitos medievais e orgulhos bacocos amiúde infrutíferos e penalizadores.

Se para a parte é mau, para o todo Europa também: contarão os americanos com um avançado centro de influência no desequilíbrio europeu, fundamentalmente em anos que a ignorância que também por lá vem ao de cima, eleja Trumps.

 

França Midcat x Nord Stream 1

O bloqueio de França ao MIDCAT alerta-me como exemplo de que o federalismo, ou alguma forma de organização politica similar a este, poderá ser solução para a GRANDE EUROPA. Há muito que dependemos do gasoduto de leste, sem ter sido lestos o suficiente para observar que estes russos não são de fiar. Putin, o querido grande líder soviético, preparou-nos como a bacorinhos de engorda que tanto precisam do feitor. Fechadas as torneiras, aí está a grande crise económica Europeia. Alternativas? Portugal e Espanha têm capacidade de receber grandes quantidades de gás liquefeito, transportado por mar da américa, gaseifica-lo e canaliza-lo para a europa pelo MIDCATA a que a França se opõem. A França não permite, porque obviamente perde capacidade económica na exportação desta energia, por concorrência de uma estrutura física de terceiros no seu território. Parece que haverá luz ao fundo do túnel para uma infraestrutura que sirva 2 propósitos: Gás e Hidrogénio (Portugal tem um potencial enorme na criação de hidrogénio verde). Numa europa Federada, em que a base económica de cada país fosse a de todos, problemas concorrenciais desta índole não se apresentariam e o desenvolvimento da totalidade seria certamente maior que a média de cada uma das partes de agora. Defendo essa europa, a GRANDE EUROPA

Uma Europa de Economia comum (política salarial, fiscal, bancária, laboral)

Uma Europa de Justiça e direito comum (Instâncias de Justiça e Leis fundamentais não constitucionais)

Uma Europa de Defesa Comum (Forças armadas)

Não tenho dúvida que é no seio da Europa que se encontram os maiores valores civilizacionais para a humanidade e o planeta. Poderemos – acredito – ser um centro de mudança do paradigma da evolução humana, no respeito pelos outros, pelo planeta e pelas leis.

 

Interior e portagens

Considero que nunca nenhum partido foi tão consequente com o interior como o Partido Socialista. Foi este o partido que mais infraestruturas construiu para melhoria de vida dos que por aqui habitam, estruturas essas que são conhecidas por todos, e reconhecidas pela esmagadora maioria. Da direita, o de sempre: clamam o interior enquanto oposição e destroem-no assim que são governo: tiraram-nos primeiro a agricultura e pecuária de minifúndio para a entregar ao grande capital empresarial, depois fecharam-nos a linha de comboio, as escolas, os tribunais, centros de saúde…

É por conhecer e reconhecer o que o PS já fez pelo interior que não gostei de ver um dos Deputados Socialistas pelo distrito de Castelo Branco dizer que: Estamos a lutar pela DIMINUIÇÃO do preço das portagens na A23 e A 25.

Eu, que sou militante do Partido Socialista há muito mais tempo, aceitei fazer parte do concelho geral da plataforma onde se reúne, se reivindica, se manifeste, se trabalha e se luta pela ISENÇÃO nessas estradas. As SCUTS foram construídas alegando-se justiça para esta zona, portanto, tudo o que não for a isenção é injusto e inaceitável.

Bem sei, que um país e seu orçamento, deve merecer o voto pela sua análise global não podendo enfermar ou ser destruído por questões setoriais que sendo importantes, não justificam arrasar o instrumento fundamental para o dia-a-dia dos portugueses; de todos os portugueses. Não sugiro pois, que na responsabilidade de deputado, chumbem o orçamento: peço e exijo que se digladiem pelos interesses do interior; que lutem na especialidade por esse direito; que deixem de usar a palavra redução e usem da palavra com força de direito na exigência do que pretendem os que vocês representam. E isso que se ouça alto, para sabermos que estamos a ser representados como pretendemos. Assim confiaremos em vós. Não de outra forma.

- 09 nov, 2022