Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 534

Eu, árbitro, me despeço… Voltar

Passados dois anos de interregno por motivos relacionados com a pandemia voltou a realizar-se mais um jantar de encerramento de época promovido pelo Conselho de Arbitragem da AF de Castelo Branco.

Atendendo às circunstâncias foi assim que, na passada 6ª feira, dia 22 de julho, me despedi oficialmente das funções de árbitro, pondo termo a uma carreira de vinte anos. Durante este período tomei milhões de decisões. Parte delas corretas, outras nem tanto… Por causa delas fui, muito provavelmente, mais vezes apupado do que felicitado. É a triste sina de um árbitro…

 Se me arrependo de ter sido árbitro? De modo algum… em troca dos cerca de 1000 jogos que dirigi tornei-me numa pessoa que, de outro modo, não teria sido. Desenvolvi o autocontrolo, a autoconfiança, o autoconhecimento e a autoestima. Aprendi a comunicar de forma verbal e não verbal. Fiz novas amizades, do Minho ao Algarve passando pelas ilhas. Descobri os verdadeiros amigos… aqueles que distinguem as decisões como árbitro do ser humano que sou. Em Portugal continental dirigi jogos em todos os distritos, com exceção do Algarve, curiosamente onde mais treinei para além de Castelo Branco… Por via da arbitragem conheci quase todas as ilhas, até mesmo o Corvo… faltou a Graciosa, S. Jorge e Porto Santo. Por mais de uma vez troquei palavras com o Xistra, o Parrinha, o Olegário, o Godinho, o Cardoso, o Castilho e tantos outros… disfrutei in loco da magia do Pany, do Ricardinho, do André Sousa, da classe do Mário Freitas ou do Eskerda, do sentido de humor do Machado, da ponderação do Travassos e do prof. José Luís, e da ambição do Joel… vi crescer a Dricas, o Cecílio ou o André Coelho. Tive o prazer de ver a forma voluntariosa e desprendida como tantos dirigentes dedicam o seu precioso tempo a coletividades como o Cariense, o Valverde ou o Retaxo. Foram tantos aqueles com quem tive o privilégio de me ter cruzado… mas os mais importantes, esses, foram os diversos colegas com quem partilhei o balneário. Desde o David Barata, com quem dirigi o meu primeiro jogo no Bairro do Valongo, ao fundanense Nélson Duarte, segundo árbitro no meu último jogo em Caria. Pelo meio recordo todos os colegas, em especial aqueles que de certa forma marcaram a arbitragem albicastrense durante última década: Bruno Duarte, João Baptista, Tiago Figueiredo e Izaldo Barata.

Então porque deixo de ser árbitro? Pelo amor que tenho à arbitragem. Neste momento, devido a razões de ordem familiar e profissional não consigo corresponder às exigências inerentes ao exercício desta função. Até poderia realizar mais uma ou outra época… mas nunca com o comprometimento que me é caraterístico. Face ao exposto só restava uma saída: dar oportunidade aos mais novos.

Significa isto que abandono a arbitragem? Não, apenas de despeço como árbitro.

- 29 jul, 2022