Diretor: Vitor Aleixo
Ano: XI
Nº: 541

“Escrever para crianças e estar com elas está na minha génese” Voltar

O que a motivou a começar a escrever?

Sou por natureza, algo reservada e a escrita foi um dos meus caminhos permanentemente preferidos para registar pensamentos ou desabafar emoções. Sempre tive um caderno onde colocava as minhas descobertas e fazia os meus registos. Enquanto Professora, eu ia criando e escrevendo de acordo com as minhas necessidades ou curiosidades, trabalhos que guardei, remodelei e comecei a publicar, depois de me aposentar. Na produção infantil teve influência o meu amigo Hugo Santos que me pedia histórias para as peças de final de ano das Escolas. Dessas oportunidades saíram os dois livros de Duendes, com Cd e música do Hugo, em que o meio ambiente, os pequenos seres e as plantas surgem com as vozes dos pequenos cantores das nossas Escolas. Escrever foi uma decisão para me (re)formar, ou seja, formar outra vez, e a vida da escrita passou a ser a minha maior ocupação do tempo disponível para além das minhas atividades domésticas, religiosas, artísticas ou, porventura políticas e do património.

 

Escrever para as crianças dá-lhe um especial prazer?

Escrever para crianças e estar com crianças está na minha génese. “A minha criança interior” está subjacente e comunicar com a miudagem é um prazer especial. Sinto sempre e facilmente essa correspondência, o que me faz feliz.

 

Qual o livro que escreveu que mais a marcou? E porquê?

É difícil escolher, pois todos me deram um gosto específico, mas destaco o “Janela”, porque tem muitas e variadas histórias, deixa aos pequenos leitores algumas curiosidades sobre a África, percebendo como a leitura pode ser uma janela para o desconhecido, para a descoberta ou para o sonho.

 

O que lhe dizem os seus leitores?

Recebo mensagens carinhosas e curiosas dos pequenos e dos grandes leitores. Nas Escolas sou recebida com entusiasmo e facilmente atinjo uma ligação de confiança com os mais novos. Uns querem-me ouvir ler poesia, outros querem mais histórias. Os leitores mais próximos, as netas, pediam “histórias das tuas, mas das tuas inventadas”, o que aumentou a minha criação infantil. Alguns adultos também me dizem que antes de darem as histórias aos miúdos as leem eles. Sinto que o “trabalho” de escrever é sempre uma mais-valia. Há uma relação íntima com o leitor que me faz feliz! 

 

A Covilhã e a Serra da Estrela inspiram a sua escrita?

A minha inspiração, está “nas raízes”, na natureza no quotidiano, nos sentimentos… Fui criada no campo e ele eternizou em mim o cantar da natureza com o sibilar das aves, o cantar das águas, os gemidos do vento, o bater das peneiras e o ritmado dos teares, numa cidade fabril onde estudei e que inspiraram profundamente o meu livro “Maria Covilhã a Fiandeira …”. Acho impossível sermos os mesmos quando crescemos, ou não, a par com a natureza. A Serra da Estrela, como dizíamos, é uma fonte da minha inspiração e além da poesia, tenho o carinho pelos covões, pelo sibilar do vento, e levo então às Escola a Serra da Estrela quando os Mistérios surgem, aproveitando para mostrar e falar dos cântaros, das lagoas, dos covões.

 

Que projetos tem para o futuro?

 “Mistério na Serra da Estrela-os segredos do Covão da Mulher” é o próximo livro, já em fase de edição, alguns contos, crónicas, bem como os contos de Era uma Vez, todos à espera de oportunidade.  

 

Que mensagem deixaria aos mais jovens para que fomentem o gosto pela leitura?

Faço aos jovens uma declaração responsável, defendendo que a leitura informa sempre, cria novos desafios, leva-nos a criar e recriar, aumenta o gosto pela escrita. Ler é um ato instrutivo, um mentor do conhecimento e uma via aberta para sonhar. 

- 11 jul, 2022