Diretor: Vitor Aleixo
Ano: XI
Nº: 541

A UBI e a reconfiguração da força de trabalho Voltar

E assim, paulatinamente, a UBI vai comemorando aniversário atrás de aniversário. Todos os anos é assim no 30 de abril. Mas mais do que o reconhecimento público, mais visível nestes dias, há um efeito da UBI que só agora se começa a notar – Trata-se mesmo de uma revolução!

Há 30 anos ocorria o auge da indústria de mão-de-obra barata, de que as tradicionais confeções, que pululavam como cogumelos na nossa região, eram um exemplo paradigmático. Com os anos, e a concorrência da mão-de-obra asiática, apenas sobreviveram destas as empresas mais inovadoras, de que temos felizmente bons exemplos em laboração. Nesse tempo a UBI formava os executivos, tipicamente gestores e engenheiros, que coordenavam a operação destas empresas, deste sector e de outros.

Mas hoje a UBI não forma apenas os quadros das empresas. Nestes tempos do digital a UBI forma o grosso da força de trabalho de um conjunto de empresas da área tecnológica que se têm instalado no Fundão, na Covilhã e, mais recentemente, em Belmonte.

Esta reconfiguração da força de trabalho traduz-se numa mudança da tipologia das empresas. Trata-se de emprego mais qualificado, o qual compreende uma força de trabalho constituída por Licenciados e Mestres. E que, necessariamente, resulta num nível de rendimentos superior ao que estava associado às clássicas empresas fabris.

As novas fábricas que aqui se instalam são fábricas do conhecimento. Mas nunca se viriam aqui instalar se não fosse a presença da locomotiva do saber que dá pelo nome de UBI. O número de empresas tem crescido a um ritmo tão elevado que a própria UBI não consegue produzir todos os licenciados e mestres para as prover. Mas a dinâmica empresarial não para, e a solução tem sido a importação de quadros de outras regiões e países. Este movimento introduziu ainda um outro fator, a reconversão de licenciados. O que permitiu a quadros de áreas menos tecnológicas, mas que tinham a necessária formação de base, uma reconversão que foi imediatamente colocada ao serviço dessas empresas.

A recente notícia da instalação da WIT Software em Belmonte é um bom exemplo deste novo paradigma de desenvolvimento. A empresa tem desenvolvido uma estratégia inteligente que agora começa a dar os primeiros frutos. A ideia é importar engenheiros da América do Sul para trabalhar em Belmonte, os números deverão atingir os 300 engenheiros em 2025.

A UBI é aqui uma peça fundamental, pese embora os engenheiros já venham com formação de base, há a necessidade de formação contínua ao longo da vida. Alguém imagina possível a instalação deste tipo de empresas na nossa região se não existisse aqui a âncora ubiana?

Ao desafio da formação de quadros ao longo da vida está a UBI a responder de forma muito inteligente com o Programa Impulso-Adultos do PRR. Muitos clamam que o problema do interior é que os poucos que cá estão andam a remar para lados diferentes. Pois bem, a UBI rema aqui em direção ao que a nova economia regional pede. E está totalmente em linha com esta reconfiguração da força de trabalho.

Assim como o dinheiro atrai o dinheiro também as empresas atraem novas empresas. E não será de espantar que, no eixo da A23 que atravessa a Cova da Beira, o número de empresas de base tecnológica continue a crescer.

O corolário destes acontecimentos será a vinda de pessoas jovens, em idade ativa, e que poderão inverter a seta do despovoamento que teimava em levar-nos em direção ao deserto. O futuro será risonho. A melhor prova disso é a notícia da instalação de novos hospitais e clínicas na Covilhã. Ninguém faz investimentos milionários desses sem estudos que lhe provem, por A+B, que o futuro é de crescimento. A nossa região está na moda!

 

José Páscoa, Professor Universitário

- 13 mai, 2022