Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 521

Estudantes que praticaram praxe violenta vão ser julgados por um coletivo do Tribunal de Castelo Branco Voltar

Em 2018, no âmbito das praxes da Universidade da Beira Interior (UBI), foram constituídos arguidos oito estudantes pela prática dos crimes de sequestro agravado, ofensa à integridade física qualificada e coação agravada a dois estudantes “caloiros” da academia.

Os oito estudantes obrigaram as duas vítimas a entrar para o interior de um carro, encapuzados, sendo posteriormente colocados num precipício onde foram obrigados a despir as calças e a colocarem-se de mãos e joelhos no chão, tendo sido agredidos várias vezes com uma pá. No final, foram ameaçados de serem enfiados em sacos de plástico e atirados pelo precipício, se denunciassem o que tinha sucedido.

No comunicado da Procuradoria-Geral de Coimbra pode ler-se que “de acordo com a acusação, os arguidos convidaram dois caloiros do seu curso para beber um copo. Os ofendidos anuíram e acabaram por ser levados, em carros separados e com a cabeça coberta com capas académicas, para a serra. Uma vez ali, os agora acusados retiraram-lhes os telemóveis e colocaram-nos junto de um penhasco, avisando-os que se tentassem fugir seriam dali atirados, frisando que ninguém queria um «Meco II»”. “Os arguidos obrigaram os ofendidos a baixar as calças e as cuecas e a colocar-se com as mãos e joelhos no chão, por forma a expor as respetivas zonas genitais aos ali presentes e, finalmente, agrediram-nos com uma pá metálica com 60 centímetros de comprimento”.

Uma das vítimas acabou por narrar o caso ao Reitor da Universidade da Beira Interior que o denunciou ao Ministério Público.

Os oito estudantes foram acusados em maio de 2021 e um dos arguidos requereu a abertura de instrução, mas um ano depois acabou pronunciado, tal com os outros sete.

A Renascença teve acesso ao despacho instrutório “datado de dia 9 de maio de 2022, onde a juiz de instrução da Covilhã valida toda a prova constante da acusação, pronunciando todos os arguidos”.

Atualmente, os estudantes serão julgados por um coletivo do Tribunal Central Criminal de Castelo Branco.

- 13 mai, 2022