Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 521

Reanimação Cardiorrespiratória – Adulto Voltar

Atendendo-se ao elevado número de mortes ocorridas torna-se fundamental o treino de leigos em Suporte Básico de Vida (SBV), e Desfibrilhação Automática Externa (DAE), manobras fundamentais para que se possa socorrer uma situação de paragem cardiorrespiratória (PCR).

A execução das manobras de Suporte Básico de Vida tem uma taxa de sucesso de 49% na PCR presenciada, o que contribui de uma forma significativa para a redução do número de óbitos. No entanto, o sucesso da execução das manobras de SBV está condicionada pelo fator tempo, ou seja, quanto mais precocemente se iniciar a reanimação cardiorrespiratória maior a probabilidade de sucesso.

Numa situação de PCR cada minuto perdido corresponde em média, à perda de entre 7% e 10% da probabilidade de sobrevivência. Ou seja, em média, ao fim de 12 minutos a taxa de sobrevivência é de aproximadamente 2,5%. Por este motivo a identificação da paragem cardiorrespiratória e o início dos procedimentos de emergência adequados para a situação tornam-se fundamentais para minimizar a perda de vidas humanas. Assim é necessário que qualquer cidadão tenha a capacidade de: Ativar os meios de socorro; Iniciar precocemente as manobras de Suporte Básico de Vida; Utilizar precocemente o Desfibrilhador Automático Externo;

 

A Cadeia de Sobrevivência

A melhor forma de se obter sucesso numa situação de PCR é termos sempre em conta o conceito da “Cadeia de Sobrevivência”, não sendo demais relembrar que como qualquer corrente a sua resistência é o do elo mais fraco. Daí não podermos subestimar nenhum dos elos, pois todos eles têm uma importância crucial para o salvamento de uma vida, podemos mesmo dizer que todos eles estão interligados.

 

A cadeia de sobrevivência é formada por quatro elos fundamentais:

Alerta; Suporte Básico de vida; Desfibrilhação Automática Externa; Suporte Avançado de Vida;

Cada elo desta cadeia de sobrevivência, quando unido, forma uma corrente que permite a abordagem da paragem cardiorrespiratória tenha sucesso. No entanto, e como foi já referido anteriormente a resistência desta corrente será aquela que se encontra na resistência de cada elo, ou seja, o resultado final está dependente da eficácia de cada um deles.

 

 

1º ELO - Alerta

O alerta é efetuado pela primeira pessoa que identifica uma situação de emergência que em Portugal é feito através do Numero Europeu de Socorro 112.

No entanto este pedido deve obedecer a algumas regras para que o socorro seja efetuado com eficácia e no menor tempo possível. Assim qualquer cidadão deverá seguir os seguintes procedimentos: Manter a calma – evitando argumentar, pois isso só vai proporcionar uma perda de tempo.

Informar: Número de onde está a ligar – O fornecimento deste número serve para facilitar o contato da central de emergência com o cidadão em caso de necessidade.

Local de ocorrência – Fornecer o local exato da ocorrência. Se possível dar também um ponto de referencia (restaurantes, cafés, igrejas Etc.).

Situação – Descrever o que aconteceu, as queixas da vítima etc., a informação obtida neste ponto é que vai definir o tipo de socorro que vai ser disponibilizado, ou seja, pode ser desde o envio de uma ambulância até ao envio de uma viatura Médica de Emergência e Reanimação.

Atuação – Descrever o que já foi feito ou está a ser feito. Deve o socorrista cumpri todas as diretrizes dadas pelo Operador da Central de Emergência.

 

Suporte Básico de Vida

O Suporte Básico de Vida é a execução de um conjunto de manobras que visam a manutenção da vida sem recorrer a equipamento específico, manobras que terão maior eficácia quanto mais precocemente forem iniciadas.

 

Desfibrilhação Automática Externa

Apesar de todos os elos serem de extrema importância, a desfibrilhação precoce torna-se no elo mais eficaz na reanimação do doente adulto, já que a causa mais frequente de PCR é um ritmo cardíaco caótico denominado por fibrilação ventricular.

 

Suporte Avançado de Vida

Essas manobras visam a reanimação do doente e são compostas por um conjunto de atos que são da competência de um médico. Hoje já é possível levar junto do doente esta mais-valia, através das viaturas Médica de Emergência.

 

Fernando Lucas, Comandante dos BV Covilhã

- 08 abr, 2022