Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 521

USCB/CGTP-IN rumo ao futuro Voltar

No passado dia 25 de março, com cerca de 190 delegados e convidados, realizou-se o 9º Congresso da União dos Sindicatos de Castelo Branco (USCB/CGTP-IN) que aprovou o seu programa de ação e elegeu a sua direção para o próximo quadriénio, concretizando um processo de passagem de responsabilidades, de renovação e rejuvenescimento, com a eleição de jovens de enormíssima qualidade, e cimentando um caminho sólido rumo ao futuro.

No Congresso da USCB/CGTP-IN não houve a luta de bastidores por um lugar na direção, que é tão habitual noutras organizações. Na USCB/CGTP-IN tudo foi discutido às claras nos sindicatos que a compõem, num processo de construção democrática, permitindo que até ao dia dos trabalhos tivesse havido uma profunda reflexão e discussão de ideias e de propostas diversas e até diferentes. No final prevaleceu o consenso sobre o que se considera melhor para os trabalhadores e foi por isso que todos os documentos foram aprovados por unanimidade.

Foi o congresso da maior organização social do distrito, e isto é incontornável, e nele foram aprovadas linhas de intervenção para o futuro que vão ter impactos positivos na vida dos trabalhadores e na definição de políticas e medidas para o desenvolvimento do Interior.

Sim!

O desenvolvimento integrado do Interior, nas suas dimensões económica, social, cultural e ambiental está, desde sempre, no centro das preocupações e da acção da União dos Sindicatos de Castelo Branco e esta é, inequivocamente, a organização social que mais tem reflectido e que mais propostas, medidas e reivindicações tem formulado e apresentado ao poder político, sendo que esta reflexão contou sempre com pessoas exteriores à União, mas que com ela quiseram partilhar experiências e procurar soluções. Assim aconteceu em duas Conferências e no recente Fórum pelo Interior.

A verdade é esta:

Quando outros (os do centrão dos interesses e das negociatas), por conveniência, ou por seguidismo partidário, assobiavam para o lado, ou vendiam as ilusões dos amanhãs que cantam, cá estava a USCB/CGTP-IN a alertar para os problemas já latentes da demografia, do despovoamento, do envelhecimento, do empobrecimento e do definhamento económico, social e cultural. Lembro a iniciativa sindical a reclamar uma OID para o Distrito de Castelo Branco, a reclamar um Plano de Emergência e as propostas para um Plano de Desenvolvimento e Progresso, como aconteceu no nosso 8º congresso e que o 9º Congresso reafirmou porque, infelizmente, no essencial mantém plena actualidade.

Alguns despertaram serodiamente para as questões do Interior e, quando o fizeram, procuraram subalternizar e até esconder a União dos Sindicatos de Castelo Branco e alguns, para travar a luta pelo interior até criaram um pseudomovimento. Mas não o conseguiram, porque a USCB/CGTP-IN já era incontornável e já não era possível ignorá-la. Sei porque o faziam e fazem: é que só os sindicatos colocam o dedo na ferida. Só os sindicatos é que disseram e dizem que não há desenvolvimento do Interior com salários miseráveis e ninguém vem para o Interior para ganhar abaixo da média nacional. É aqui que reside o cerne do problema e é isto que tem de ser urgentemente ultrapassado. Se o não fizermos o Interior corre para o declínio irreversível. Não! Não estou a ser dramático. Até estou a ser muito contido.

Aliás, o 9º Congresso definiu com muita clareza que o tempo que vivemos exige a concretização de três pressupostos complementares e inseparáveis: A dinamização da atividade económica através da industrialização do interior; a criação de emprego e a elevação dos rendimentos das pessoas, desde logo dos trabalhadores, através do crescimento dos salários; a concretização da Regionalização com a consequente criação das Regiões Administrativas dotadas de autonomia, de competências e de meios financeiros.

E também definiu que o tempo que vivemos e o desenvolvimento do Interior exigem a resposta às reivindicações dos trabalhadores, para a qual será fundamental a continuação e aumento da luta em todos os sectores e em todo o distrito.

Para este combate a USCB/CGTP-IN é necessária e imprescindível e a nova direcção eleita (da qual já não faço parte) e as orientações aprovadas indicam que esta está qualificadamente disponível e activa para lutar Pelos Direitos dos Trabalhadores e Pelo Desenvolvimento do Interior. Sim! Estou muito orgulhoso: A USCB/CGTP-IN tem futuro e olha de frente para o Futuro!

 

Luís Garra, Sindicalista

- 07 abr, 2022