Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 517

Quantas vidas serão precisas perder para mudar o paradigma da violência doméstica? Voltar

Esta semana aconteceu no concelho da Covilhã um crime bárbaro, com uma Mulher a ser atacada na sua residência pelo seu ex-namorado. Problema maior é que já tinham sido apresentadas queixas por violência doméstica na GNR local, e pelos vistos nada foi feito.

Em Portugal o flagelo da violência doméstica continua a afetar milhares de casas, as vítimas muitas vezes silenciam-se por medo de represálias, e quando não o fazem e apresentam queixa, essa mesma queixa em nada dá e o agressor continua livre para voltar a cometer crimes. Ou então acontece algo ainda pior, quando a vítima é agredida e apresenta queixa, é ela que tem de sair de casa e não o agressor, que continua a fazer a sua vida impávido e sereno.

Quantas leis serão necessárias criar? Que mentalidade é preciso alterar? A violência doméstica é um crime público punido por lei e cada um de nós tem de o denunciar.

Quantas Mulheres terão mais de morrer para que haja medidas duras? Quantas vidas terão ainda de se perder para que o Estado olhe para este crime de forma mais séria? Para que a Justiça atue? E para que as forças da ordem tenham outro modo de atuar?

Em 2021 foram assassinadas 21 Mulheres pelos maridos ou ex-companheiros, foram 21 Mães que deixaram os seus filhos e entramos no novo ano e estes crimes continuam a acontecer, com as medidas de coação a não passarem do aproximar à vítima ou da pulseira eletrónica.

De uma vez por todas há que tomar mais medidas, aprovar novas leis e consciencializar as pessoas de que estes crimes são hediondos e não podem acontecer. Não podemos viver num país machista e criminoso, onde um homem continua a vitimizar a Mulher e a submetê-la a atos bárbaros.

De uma vez por todas vamos também nos contribuir para que isto se altere, mudando mentalidades e saber que mesmo ao nosso lado isto pode acontecer. Por isso estejamos sempre vigilantes.

 

- 11 jan, 2022