Diretor: Vitor Aleixo
Ano: XI
Nº: 550

A luta pela paz Voltar

A guerra movida pelo Estado da Federação Russa à Ucrânia arrasta-se e parece querer prolongar-se no tempo. Trata-se de um conflito que viola, como todos sabemos, o Direito Internacional, os Direitos Humanos e a integridade territorial de um País independente e soberano. As consequências têm sido gravíssimas e a todos os níveis e tudo aponta para o seu agravamento.

Aqui e ali surgem, por vezes, sinais e notícias, acompanhadas por comentários mais ou menos abalizados, que têm o condão de nos animar de esperança de que a Paz estará prestes a raiar. Recentemente, em Pequim, um regime que acabou agora de se consagrar como ditatorial-unipessoal, o Chanceler alemão foi recebido pelo chefe do Partido tendo recebido deste, segundo a imprensa, a promessa de que a China se oporá terminantemente ao uso de armas nucleares pelo Estado terrorista Russo na Ucrânia, o que, se assim for, alimenta a nossa esperança de paz. Mas irá o Homem da Ditadura chinesa cumprir a sua palavra? Veremos, mas nunca fiando.

Há dias também, teve lugar numa cidade da Polónia uma reunião de meia centena de opositores de Putin, uma iniciativa que pretende organizar um Congresso de democratas russos cujo ponto central programático assinalará a criação de uma República Parlamentar naquele país e, naturalmente, a deposição do Ditador do kremlin. Teremos, ainda qui, também, de aguardar para ver o que resultará.

Tudo isto parece ser esperançoso, sem dúvida. Todavia, tudo, também, enferma de um traço comum que mitiga a nossa esperança, acentua o nosso ceticismo e cava em muitos o desânimo: refiro-me à ausência do cenário político da participação e envolvimento dos Povos. Tudo está entregue aos poderosos, aos «de cima», como se apenas estes sejam os únicos interessados na paz e na sua perpetuação. Ora, tal perspetiva é errada. Os Povos de todo o Mundo são as principais e maiores vítimas da guerra, desta e de todas as outras que a antecederam. A única «participação» dos Povos é que pagam a guerra com os seus impostos, quase sempre privando-se assim do bem-estar indispensável. Razão tinha o norte-americano Thoreau que se recusou a pagar impostos no seu tempo argumentando que não pagava para a guerra.

Há, porém, um sinal de excelência, esse sim, real, efetivo, concreto, e que pode ser eficaz contra as guerras e na conquista da paz: os milhares de jovens russos que, num ato corajoso e louvável de verdadeira Desobediência Civil se recusaram a enfileirar na chamada «Mobilização Parcial» que o Ditador do Kremlin decretou. É que não iriam defender a sua Pátria, aliás, nem sequer ameaçada e muito menos invadida. Eles iriam morrer nos campos ucranianos, acabar as suas vidas, cortar cerce os seus sonhos e aquilo para que nasceram: Florescer, Realizar o seu Ser em plenitude.

A Desobediência Civil, traduzida, em todo o Mundo, pelos jovens de todo o Mundo, pela recusa de serem mobilizados para invasões e guerras contra outros povos terá de ser a «arma» do futuro na defesa da paz e contra a guerra que os senhores do Mundo querem muitas vezes impor. Em Portugal, no tempo da guerra colonial, a Desobediência Civil também teve lugar, dada como exemplo por milhares de desertores.

O Desarmamento Nuclear, a extinção total e incondicional de todos os arsenais atómicos existentes no Mundo terá de ser a outra «arma», pacífica e confiável, de garantia contra o aniquilamento, eventual, de toda Humanidade e de toda a Vida na Terra. Urge, pois, avançar para um verdadeiro Tratado Global de Extinção do Armamento Nuclear discutido e assinado por todos os Estados que consagre este verdadeiro Ato de Paz. Só assim se daria cumprimento pleno ao Sonho da Paz Perpétua enunciado pelo Filósofo Immanuel Kant nos anos finais do século XVIII.

- 19 nov, 2022