Diretor: Vitor Aleixo
Ano: XI
Nº: 550

Para além do TMC Voltar

Faz um ano que a Covilhã tem um Teatro que proporciona várias propostas culturais, isto apesar de se poder gostar ou não. Cada cabeça tem sua sentença apesar de algumas sentenciarem com pouca da dita, mas é um direito que lhes assiste.

Já Beethoven dizia que “há pessoas com um silêncio inteligente mas é pena que raramente o utilizem”. Para mim faltam concertos da chamada música clássica, mas isto é o meu gosto e sensibilidade sendo que para outros não fará qualquer diferencia essa ausência. Parece, no entanto, localmente e erradamente, que neste momento só se pode ser culturalmente notável se pisarmos o dito palco. O Teatro da Covilhã deverá ter um papel importante sem de modo algum ser uma esponja sobre outros locais onde se pode fazer algo de culturalmente importante. Não podemos ser provincianos ao ponto de pensar que a importância de um concerto tem a ver com o local onde ele se faz e não com a qualidade do que apresentamos. E o concelho da Covilhã tem imensos locais, que acusticamente e até pela diferenciação deviam ser aproveitados. Começo pelo Monumento à Nossa Senhora que tem uma acústica incrível, é espaçoso e com uma vista deslumbrante. Tem a possibilidade de usar a escadaria como plateia ou num caso de um coro utilizar a mesma como estrado sentando o público no espaço contrário. Outro local fascinante é na Vila do Carvalho atrás da Junta de Freguesia onde a ribeira proporciona um cenário deslumbrante e onde mais uma vez as condições acústicas são muito boas até pela presença de água o que ajuda sempre. A caminho da serra, existe a Santa esculpida na pedra.

Outro local distinto onde se pode espalhar o público pelos graníticos sofás e proporcionar uma experiência musical diferente. Também a barragem do Padre Alfredo pode proporcionar um concerto coral muito diferente sendo que a sua frente em forma de parede de pirâmide egípcia é um estrado natural para um coro podendo o público espalhar-se pela natureza que a rodeia. A praia fluvial da barragem de Valhelhas, no rio Beijames é outro local cheio de magia. Imagino ao por do sol, um coro a cantar dentro de água e o público nas margens. Como já disse e é sabido, a água é um bom fio condutor do ponto de vista sonoro. O Parque de Merendas da Serra da Estrela é outro local que permite um concerto diferente e também para coro tem uma espécie de estrado em meia-lua sendo que para uma formação instrumental inverte-se o cenário tornando-se esse o local onde se senta o público. E possivelmente muitos outros locais que eu desconheço terão a magia de poder acolher um concerto. Como parece ser óbvio, aqui não há bilheteira, mas somente o prazer de fazer música. E por isso mesmo, como busco continuamente a felicidade, quando a meteorologia o permitir, lá estarei eu musicalmente acompanhado, em busca do meu prazer. Fica já o convite a todos e levem a cadeirinha do campismo.

Até lá.

- 04 nov, 2022