Diretor: Vitor Aleixo
Ano: XI
Nº: 550

Triste fartura Voltar

A cidade da Covilhã, a exemplo de tantas outras, procura ter uma oferta cultural que permita aos seus cidadãos disfrutar da mesma e assim, propiciar também, uma evolução social, educacional e ajudar ao bem-estar das populações. Umas cidades com melhores ofertas, outras com mais diversidade, outras melhor estruturadas, mas felizmente o interior tem tido alguma evolução nesse aspeto com claro benefício dos que querem aproveitar. E penso que a responsabilidade desta oferta é claramente das autarquias assim como das instituições locais que tenham essa capacidade. Deve-se no entanto distinguir, e manifestamente no caso da música, o que é cultural e o que é entretinimento. Todas terão o seu espaço sem perder a noção que esses mesmos espaços serão diferentes. Tal como não se pode roçar o provincianismo do que vem de fora é gourmet e o que temos em casa é comestível. Assim sendo, entendo, porque já entendi há muitos anos, que uma cidade cultural passará sempre pelo casamento entre autarquia e quem localmente possa contribuir de forma positiva para que esse matrimónio possa reproduzir. E num matrimónio tem de haver cooperação de ambos os lados. Não pode um fazer o almoço e o jantar o outro só comer e arrotar. E é dentro deste pensamento que penso ser despropositado num mesmo dia coexistirem ao mesmo tempo três espetáculos na cidade da Covilhã. Não é um grande centro populacional e como tal é simplesmente negligente o desperdício de oportunidades culturais. Não consigo apontar o dedo aos culpados deste desgoverno o que não me impede de sentir que algo não funciona. Mas também não tenho o hábito de depreciar sem ter uma ideia do que seria a solução, pois isso é papel de “papagaio” com o devido respeito pela ave mencionada. Penso então, que todas as instituições apoiadas pela autarquia deveriam antecipadamente informar a mesma das suas planificações assim como a própria autarquia deveria ter alguém que coordenasse todas estas situações de modo, a que atempadamente, se evitasse sobreposições que obrigam o cidadão a ter de optar quando poderia beneficiar de todas. Não faz sentido, e repito, uma instituição apoiada pela autarquia, sobrepor uma atividade sua a quem a apoia, tal como é óbvio, não faz sentido o contrário. As que não são apoiadas deverão fazer o que bem entenderem que foi o que eu fiz durante uma dezena de anos. E poderão pensar muitos, que estou a tentar ser agradável ao poder local, mas no meu “currículo” não consta a arte de “lamber botas”, embora noutros tempos tenha convivido com “artistas” desta área e podia ter aprendido. E alguns, ainda que com a língua mais ressequida, ainda por aí andam. Voltando ao que realmente importa, nunca se deve esquecer que as instituições estão acima das pessoas e que devem trabalhar para essas mesmas pessoas sendo que a cooperação é o caminho que as pode beneficiar. E se somos apoiados, temos no mínimo, de informar das nossas intenções a quem concede esse apoio. Termino com uma frase que ouvi recentemente de um anónimo brasileiro: “Se vós, sois uns rabos peludos e malcheirosos para o mundo à vossa volta, não esperam que o mundo vos devolva bundas depiladas e macias. Certo?”

- 16 out, 2022