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Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 527

Fundão quer investir na Energia Verde Voltar

O Fundão congratula-se por ser uma das oito regiões portuguesas escolhidas pela União Europeia para combater as alterações climáticas e revelou que terá como prioridades a intervenção em zonas ardidas, o uso eficiente da água na agricultura e a energia verde.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, classificou como “importantíssima e vital” a decisão da União Europeia (UE) e considerou que aquela determinação permitirá afinar “o que possam ser ações mais concretas e eficazes para dar resposta a um desafio que é global, mas para o qual se tem de agir localmente”.

A Comissão Europeia anunciou, na terça-feira, as primeiras 118 regiões e autoridades locais que participarão na Missão da União Europeia para a Adaptação às Alterações Climáticas, a chamada Missão de Adaptação, que apoiará o Pacto Ecológico Europeu e a Estratégia da UE para a Adaptação às Alterações Climáticas.

Das 118 regiões e municípios escolhidos para implementar projetos de adaptação às alterações climáticas, que mobilizam 370 milhões de euros até 2023, oito são portuguesas.

Para além do Fundão, a lista inclui o Cávado, Área Metropolitana de Lisboa, Região de Coimbra, Médio Tejo, Vila Pouca de Aguiar, Mafra e Cascais.

Lembrando que, por estar numa zona de fronteira entre as paisagens Atlântica e Mediterrânica, o Fundão é um território que tendencialmente terá impactos associados às alterações climáticas, Paulo Fernandes frisou que o município está empenhado em avançar com projetos que permitam atenuar esses efeitos negativos.

Segundo revelou, uma das prioridades prende-se com projetos para recuperação de áreas ardidas, bem como com a preservação e intervenção na zona do Pinhal ou na área protegida da Serra da Gardunha.

O uso eficiente da água em aproveitamentos hidroagrícolas já existentes no concelho, ou que venham a ser criados, é outro dos aspetos que esta autarquia do distrito de Castelo Branco considerou “muito relevante”.

“Temos aí uma questão fundamental para que possamos manter todas as cadeias de valor tão importantes para a economia local”, afirmou, sublinhando o caso de produtos certificados, como, por exemplo, a “Cereja do Fundão”, que tem Indicação Geográfica Protegida (IGP), ou os queijos com Denominação de Origem Protegida (DOP).

A estratégia do concelho no âmbito das alterações climáticas também terá especial atenção às energias verdes, com o objetivo de implementar soluções que possam reduzir o consumo, bem como o custo da energia.

“Sendo nós um município que está praticamente no ponto de equilíbrio entre a energia que consome e a energia verde que produz - e que certamente vai produzir mais nos próximos anos do que aquela que consome - então queremos ajudar a criar novos modelos colaborativos entre empresas, cidadãos e instituições, de forma a diminuir o consumo e, através da partilha de circuitos energético, reduzir o custo da energia”, afirmou.

O acesso à informação, a partilha de conhecimento e a possibilidade de integrar redes, consórcios e projetos de investigação aplicada são outros dos aspetos que Paulo Fernandes destacou como positivos ao facto de o Fundão estar, desde o primeiro momento, integrado na Missão Adaptação.

- 23 jun, 2022