Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 527

Os Núcleos de Árbitros, o verdadeiro clube dos árbitros Voltar

É um facto que compete às associações e às respetivas Federações estruturar as diversas modalidades desportivas. Porém, em bom rigor, os clubes são os principais responsáveis pelo desenvolvimento e crescimento desportivo em Portugal. São eles que lutam diariamente pela sua subsistência, enfrentando obstáculos como a escassez de recursos financeiros, materiais e humanos.

Num plano horizontal conseguimos identificar, em cada coletividade, uma ou outra figura proeminente. Embora lhe seja reconhecida uma grande relevância em determinado momento coletividades, estas figuras são apenas isso mesmo, um dos muitos elementos que fazem parte de uma história e que, como tal, contribuíram para a definição de uma identidade coletiva. É neste contexto que, olhando para os principais clubes portugueses conseguimos distinguir uma matriz mais popular, eclética ou regional em cada um deles. Posteriormente esta identidade acaba por se refletir na forma como comunicam para o exterior, seja para a sociedade civil ou para os diferentes organismos de que fazem parte, os quais devem responder de acordo com os princípios democráticos e o interesse da modalidade que gerem.

O mundo da arbitragem não é distinto. Reconhecendo o importante papel dos Conselhos de Arbitragem a nível nacional e/ou regionais, importa salientar a importante ação a nível local dos Núcleos de Árbitros. São eles que dão voz às preocupações e anseios dos árbitros, os quais se estendem aspetos relacionados o domínio formativo, a segurança ou com aspetos financeiros. A nível nacional é possível verificar a sua influência. Quanto maior é a vitalidade do núcleo, melhores têm sido os desempenhos classificativos dos seus membros. Só para citar alguns veja-se a classificação dos árbitros que integram os núcleos Francisco Guerra, Academia Albino Nogueira, Marques Bom, Linha de Sintra Guarda ou Évora. A sorte dos seus associados tem dado muito trabalho.

Será possível fazer algo similar em Castelo Branco? Sim, sem qualquer dúvida. Mas para isso urge passar por várias etapas. Numa etapa inicial há que recuperar a identidade colectiva, a qual se foi perdendo ao longo dos tempos. Tal só é possível promovendo projectos comuns. O primeiro passo foi dado com a participação no Encontro Nacional de Núcleos e no Torneio Inter-Núcleos promovido pela APAF, entre os dias 3 e 5 de junho no Machico. Aí uma comitiva composta por quase duas dezenas de árbitros pôde: i) aprofundar conhecimentos sobre primeiros socorros, a evolução da arbitragem e a segurança nos jogos; ii) partilhar experiências com os árbitros dos 25 núcleos presentes: iii) e divertir-se jogando futsal e participando em provas de karting. Ultrapassada esta etapa há que discutir sobre o que se pretende para o presente e o futuro da arbitragem distrital. Este debate deve ser efetuado nos órgãos próprios. Primeiro no seio do núcleo e, depois, junto dos responsáveis pela gestão deste sector. Mas, para que seja profício, é fundamental que todos os intervenientes saibam colocar os interesses do seu clube – a arbitragem - acima dos egos e interesses pessoais ou de uma história que já passou.

 

Sérgio Mendes, Professor

- 17 jun, 2022