Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 527

Alunos de guitarra portuguesa gravam álbuns de estreia Voltar

Os alunos da Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) que cursem guitarra portuguesa na licenciatura em Música, bem como os recém-diplomados daquela variante de instrumento, já podem conceber e executar um trabalho musical sem quaisquer custos financeiros.

Anunciado a meio do ano letivo anterior, o estímulo à composição começa agora a dar os seus frutos junto dos estudantes ainda sem nenhum álbum gravado, desafiados a registarem quatro temas de autores já consagrados e quatro inéditos, podendo fazê-lo a solo ou com outros músicos e formações. Uma forma de garantir a sua inserção no circuito discográfico e a apresentação de obra e compositor junto do público, facilitando a entrada no mundo das artes do espetáculo.

A supervisão do projeto está a cargo de Custódio Castelo, seu promotor e docente da ESART-IPCB, que conduz a produção e as gravações na Fábrica da Criatividade, a qual por sua vez disponibiliza uma box a cada guitarrista e os técnicos de som (neste caso, João Falcão, também ele diplomado pela ESART, onde cursou Música Eletrónica e Produção Musical). Já a World Music Records encarrega-se da masterização e distribuição dos álbuns nas plataformas digitais, fazendo a ponte com os media.

A frequentar o segundo ano, Tiago Oliveira é um dos beneficiários da iniciativa que arrancou com José Alegre, o primeiro diplomado na única licenciatura do género em Portugal. Com sete temas já compostos, o jovem de Vila do Conde dá-se a conhecer, de momento, através do seu original favorito, a melodia “Amanhecer”. “Tinha um teste e estava farto de estudar a noite toda. Quando começou a entrar luz pela janela, peguei na guitarra e fui para a varanda tocar a ver o nascer do sol”, confessa.

Incorporar histórias como esta, desde o mestre que inspirou o discípulo ao primeiro tema apreendido com a técnica correta, é outro dos aspetos a contemplar nos trabalhos de estreia dos novos instrumentistas. “O estúdio de gravação ficará sempre aberto a quem compõe porque está a revelar-se enquanto músico, e através de um instrumento com a voz de um povo e o nome de um país”, justifica Custódio Castelo.

No registo fonográfico que se começa a evidenciar, repertório e acompanhamento apresentam-se já em linha com o gosto e o estilo de Tiago Oliveira, bem para lá do portefólio tradicional. “No mundo da música é preciso ter contactos. Se não fizermos já parte de uma banda ou orquestra, é complicado ter currículo. Então é uma oportunidade que mais nenhuma escola oferece, uma excelente forma de entrarmos no mercado”, conclui o estudante.

- 10 jun, 2022