Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 527

Ansiedade: normal ou patológica? Voltar

Já sabemos que quando nos sentimos bem connosco próprios e confiantes, somos capazes de alcançar mais facilmente os nossos objetivos e sentimo-nos mais empoderados e competentes para lidar com as pessoas ao nosso redor. Porém, o contrário acontece quando estamos perante um problema de Saúde Psicológica, ou seja, sentimo-nos menos capazes de enfrentar o dia-a-dia e os desafios que este acarreta. As Perturbações de Ansiedade, englobadas no leque das Perturbações Mentais, são um exemplo com grande impacto ao nível do bem-estar e do próprio funcionamento humano. É importante salientar que todos os seres humanos sentem ansiedade! A ansiedade constitui um estado de alerta e vigilância quando percecionamos algum perigo. Costumo dizer em consultas que “a ansiedade advém do medo que nos faria fugir se víssemos um urso na rua”. Contudo, sabemos que há muitas situações mais realistas a espoletarem sintomatologia ansiógena: fazer um exame ou uma apresentação na escola ou na faculdade, ir a uma consulta médica, ir a uma entrevista de emprego. Estas situações podem ser críticas para a nossa ansiedade porque implicam um momento de avaliação de quem somos ou do que sabemos, implicam escrutínio alheio e implicam uma tentativa da nossa parte de sermos bem-sucedidos. Nestes casos, é comum sentirmo-nos tensos, preocupados, nervosos e verificarmos alterações ao nível do sono, do apetite e da concentração. Assim que ultrapassamos este momento de tensão, é expectável que a ansiedade desapareça, uma vez que a sua função já foi cumprida: manter o foco naquilo que era importante para nós naquele momento. Por outro lado, se os sintomas ansiógenos são frequentes, nos sobrecarregam e se estão elevados a maior parte do tempo, durante longos períodos de tempo, então terá um impacto negativo no nosso desempenho e irá interferir com a nossa rotina e qualidade de vida, uma vez que a sensação de perda de controlo conduzirá a uma inibição de ação. A ansiedade pode ter impacto ao nível físico (como: tensão muscular, dor de cabeça, batimento cardíaco acelerado, náuseas e vómitos, vontade de ir à casa de banho, dificuldade em dormir ou sensação de “borboletas no estômago”) e psicológico (incluindo: pessimismo, medo constante sem razão aparente para tal, elevado estado de alerta/hipervigilância, nervos, humor irritável, dificuldade em relaxar e em manter um estado de concentração). Apesar de estes sintomas poderem diferir de pessoa para pessoa, senti-los a um nível extremo é doloroso e incapacitante, pode interferir com os relacionamentos sociais e familiares, pode conduzir ao desenvolvimento de fobias e pode originar pensamentos obsessivos ou comportamentos compulsivos. Conhecer a sua ansiedade é fundamental: ressalva-se a importância de perceber se estamos perante uma sintomatologia que nos mobiliza para a ação ou que, de tão forte que é, nos incapacita de agir. Identificar as fontes de ansiedade e enfrentar os pensamentos ansiógenos são os primeiros passos para combater a ansiedade. Se não conseguir fazê-lo autonomamente, lembre-se que há profissionais especializados para trabalhar consigo. Um psicólogo pode ajudar

- 20 mai, 2022