Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: XI
Nº: 517

Nova guerra se aproxima: mais uma vez, será o povo a decidir Voltar

Decorreu, com o maior respeito e serenidade, mais um ato eleitoral, desta feita, as autárquicas.

O povo decidiu, os idosos acomodaram-se e nós, apesar de tudo, vamos continuar a lutar.

A mensagem não passou, quando, finalmente, um dos candidatos criou, em exclusivo, a figura do Provedor do Idoso.

Por outro lado, ignoraram a grande possibilidade de voltarem a usufruir do saudoso Espaço das Idades.

Perante tal cenário, não me resta outra alternativa que não a resignação, porque tudo fiz para que a realidade fosse mais animadora, mais consubstanciada com o panorama que se vive no nosso concelho, no que concerne à qualidade de vida e saúde dos nossos idosos.

De tudo isto, concluo que deixei de possuir o perfil adequado para continuar a lutar por tão nobre causa.

Admito estar ultrapassado, porque também eu faço parte da faixa etária dos “meninos da idade maior”.

Assim sendo, entendo que devo fazer uma profunda reflexão sobre tudo quanto se passou e onde deixei de ser útil junto daqueles por quem tanto tenho lutado, desde que entrei na vida política, quando desafiado para assumir a Presidência da extinta Junta de Freguesia de Santa Maria.

Foi aí que tudo começou, quando coloquei, como primeira prioridade, a congregação de esforços no sentido de contribuir para a melhoria das condições de vida dos nossos séniores.

Os aniversários de todos e de cada um passaram a ser, mensalmente, comemorados num convívio de festa, de amizade, de solidariedade, entregando mesmo, a cada um, uma lembrança que marcou a nossa presença e ação.

Iniciámos a realização de passeios periódicos que permitiram oferecer a um número muito significativo, a oportunidade de saírem dos seus quatro-cantinhos para visitarem locais que, de outra forma, nunca seria possível.

Criámos e desenvolvemos um espaço digno (Espaço das Idades) que permitiu, com o apoio do Município, oferecer aquela que passou a ser, para a grande maioria dos que a frequentavam, a sua segunda casa.

Sim, porque ali encontraram ocupação, lazer, convívio, saúde, etc.

Ali todos os idosos usufruíam de uma receção, de uma sala de convívio, da secção de pintura, do salão de cabeleireiro, da sala de bordados, do atelier de costura, da oficina de olaria e barro, da tecelagem, da aprendizagem em arraiolos, a sala de informática, da oficina de eletricista, do cantinho da música, ensino de adultos, a serralharia, a carpintaria, a Loja Social, o bar e restaurante, o Médico Dentista, a Fisioterapia, o Oftalmologista, a Terapia da Fala, a Massagista/Calista, o Posto de Socorros, a Assistente Social, a Capela, a Biblioteca e outros.

Nada lhes faltava. Podia-se dizer que era um autêntico paraíso social enaltecido e mesmo invejado por todo o país.

Pois é, meus amigos, chego à conclusão de que está tudo servido. Está tudo bem instalado. Não há carências afetivas nem pessoas isoladas. Estão todos felizes com aquilo que têm e têm muito, creio eu.

Vamos partir para outras “guerras”. Vamos iniciar outra caminhada. Aquela que nos prepara para a vida do outro lado.

De qualquer forma, é sempre bom reconhecer o quanto foi importante ter lutado por tão nobre causa.

Não, nunca mais vai aparecer algo parecido, por muito que se tente imitar.

Desafios para outras paragens, claro que os ouve. Mas a Covilhã foi o berço de tão eloquente iniciativa. Nunca me arrependerei do esforço e da dedicação à ideia de ajudar uma faixa etária tão carecida de afeto, de carinho, de amor, de convívio.

Fica o trabalho feito e o apoio dos que sempre estiveram comigo.

Sim, porque em política não vale tudo, quando a sensibilidade é tacanha e o amor ao próximo é ilusório.

Por aqui, podem ter uma certeza: Estarei sempre disponível para dar tudo pelo bem-estar dos “meninos da idade maior”.

Lá dizia o sábio: “As pessoas mais importantes não são aquelas que têm a cabeça cheia de conhecimento …

São aquelas que têm o coração cheio de amor, as orelhas prontas para escutar, sem julgar e as mãos prontas para ajudar”.

É desta forma que gosto de estar na vida.

Até sempre, meus amigos.

 

António Rebordão, Membro da Direção da Mutualista Covilhanense

- 06 dez, 2021