Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: X
Nº: 476

EDITORIAL: «Os Velhos do Restelo» Voltar

A expressão ser um Velho do Restelo significa «ser conservador, casmurro, resistente a mudanças». O Velho do Restelo é uma das personagens de Luís Vaz de Camões na sua obra «Os Lusíadas» (Canto VI). Ele representa a suposta voz da razão contra a ambição e o fazer melhor, opondo-se à proposição de Vasco da Gama de partir com a sua armada para a descoberta do caminho marítimo para a Índia.

No nosso quotidiano também encontramos algumas situações que se assemelham a esta forma de pensar, principalmente em instituições, sejam elas públicas ou privadas, onde existem alguns que julgam ser donos do poder.

O Velho do Restelo também quer resistir à juventude e às novas ideias, opta pela continuidade em detrimento do progressismo, e julga que depois dele… vem o fim…

Mas o Velho do Restelo engana-se sempre, porque o progressismo, as novas formas de fazer e de pensar acabam por triunfar, mais cedo ou mais tarde. Não podemos adiar o inevitável, pois o amorfismo e o «deixa andar» também esgota.

A sociedade, as instituições e outros setores da nossa vida estão em constante mudança e necessitam de crescimento, e nunca podemos dizer que a juventude traz consigo amadorismo, bem pelo contrário, as ideias novas trazem saber, modernidade e novas formas de fazer. Por isso tanto na vida pública, como na privada tem de haver mudança e um corte com o «mais do mesmo».

Na nossa região por vezes assistimos a situações destas. Em associações, coletividades, entre outros, porque há alguns que julgam ser donos das mesmas, não querendo que entre nelas o espirito da mudança e do empreendedorismo. A bendita limitação de mandatos imposta nas autarquias deveria estender-se ao Governo, às associações e a outros setores da sociedade, porque o poder tem de ser rotativo porque o mesmo corrompe.

Esperemos que com o tempo haja cada vez menos Velhos do Restelo e menos pessoas que pensem de forma redutora e pequenina, porque a sociedade necessita de progressismos e novas formas de fazer.

- 15 jun, 2021
- Vítor Aleixo