Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: X
Nº: 462

«Bienal Art(e)facts» vai premiar projetos criados por artistas em colaboração com artesãos Voltar

A «Art(e)facts, Bienal de Conhecimento» que integra a área de Arquitetura e Território da «Guarda 2027 – Região Candidata Capital Europeia da Cultura», vai convidar artistas, arquitetos e designers a criarem projetos para serem produzidos em residências com artesãos do Fundão, Guarda e Manteigas.

Esta Bienal pretende motivar colaborações entre artistas e artesãos e constituir um património contemporâneo de obras artísticas, de carácter efémero e perene, que privilegiem a valorização do território e a reinterpretação dos saberes tradicionais.

Carlos Chaves Monteiro, presidente da Câmara Municipal da Guarda, município que lidera a candidatura que preside ao Conselho Geral da «Guarda 2027», salienta que “o desafio é gerar esta visão integrada em redor de projetos transformadores de uma região que se une em redor de uma causa maior que traga desenvolvimento a médio e longo prazo, a partir das nossas identidades e patrimónios, como território único e diferenciador para a Europa”.

Paulo Fernandes, presidente da Câmara Municipal do Fundão, município da rede «Guarda 2027» que acolhe «Art(e)facts», explica que “o programa parte do Fundão e pretende construir cenários intergeracionais que garantam a sobrevivência e a valorização do meio rural, beneficiando assim as relações de cooperação e de interdependência na Beira Interior”.

Enquadrando a identidade da região e procurando instigar os seus símbolos, “este projeto será uma oportunidade de recriar uma leitura sensível e afetiva do lugar, reforçando a importância da memória e da sua apropriação no contexto contemporâneo”, evidencia Pedro Gadanho, Diretor Executivo da «Guarda 2027».

«Supernatural Togetherness» é o tema da primeira edição da bienal e propõe alianças entre espécies e gerações para salvar o futuro. “Queremos convocar as gerações que guardam os saberes ancestrais e as gerações mais jovens, as que estão reféns de uma incerteza que não lhes permite imaginar o futuro, podem a arte e a arquitetura resgatar um legado em perigo e um futuro incerto para os reescrever de um ponto de vista pós-humano?”, interpela Andreia Garcia, curadora de «Art(e)facts» e programadora da área de Arquitetura e Território da «Guarda 2027».

O programa da bienal estará em curso até setembro de 2021 e integra a realização de residências artísticas no Fundão, Guarda e Manteigas, que resultará uma exposição coletiva alargada a diferentes pontos do território e uma conferência internacional.

Até 19 de março está aberta a convocatória internacional «Art(e)facts 2021» que é dirigida a artistas, arquitetos e designers, e vai premiar dois projetos até seis mil euros para honorários e produção. A iniciativa é direcionada à prática artística contemporânea que apresente propostas de projetos inéditos ou em fase de investigação. As propostas, individuais ou em coletivo, devem valorizar o artesanato local, propor a aprendizagem de conhecimento com artesãos locais e criar trabalhos que resultem da interseção artista-artesão e da inovação no campo da criação artística atual.

Tecelagem de burel, cestaria de vime, fabricação digital, tecelagem de linho, olaria e cestaria de castanho, são as áreas e técnicas artesanais privilegiadas e a escala dos projetos é livre, possibilitando o enquadramento desde a escala da mão humana até intervenções no espaço público.

Os dois projetos selecionados serão anunciados na primeira semana de abril e desenvolvidos em maio, em residências artísticas realizadas nas oficinas de artesãos locais. As residências envolvem a produção de seis projetos, quatro destes da autoria de criadores convidados pela organização, e culminam com uma exposição coletiva que será inaugurada em julho em várias oficinas de artesanato no Fundão, na Guarda e em Manteigas.

Recorde-se que a «Candidatura da Guarda a Região Europeia da Cultura 2027» é um projeto regional, participado por 17 municípios, que pretende desenvolver a Beira Interior a partir da sua dimensão cultural. A candidatura, com direção executiva do arquiteto e curador Pedro Gadanho, deseja pensar o futuro do nosso interior, tomando a criação de uma programação de dimensão europeia para o ano de 2027 como ponto de partida e “o apelo do Interior” como mote.

Além dos 14 municípios do distrito da Guarda, o projeto envolve as autarquias de Belmonte, Covilhã e Fundão, no distrito de Castelo Branco.

A Capital Europeia da Cultura é uma iniciativa da União Europeia, criada em 1985 com o objetivo dinamizar as cidades como centros de vida cultural, social e económica.

 

- 02 mar, 2021
- Helena Esteves