Fundadores: Vitor Aleixo e Ricardo Tavares
Diretor: Vitor Aleixo
Chefe Redação: Ricardo Tavares
Ano: IX
Nº: 422

Quarentena Têxtil Voltar

Mais uma semana se passou nesta guerra sanitária, que mais se pareceu com um mês, devido a esta paragem forçada, embora necessária. A pandemia propaga-se e com ela o medo e as incertezas sobre esta nova ameaça desconhecida, mas também as mensagens positivas aumentam sejam de esperança, união e consciencialização (como por exemplo sobre ficar em casa e não viajar, necessárias e demasiadas vezes ignoradas, embora absolutamente cruciais). Ajudas têm sido requeridas e correspondidas com grandes exemplos nacionais e internacionais, desde reajustamentos de fábricas a encerramento de outras, ou até doações. Empresas ligadas ao mundo têxtil (e não só) têm respondido a esses pedidos de ajuda, pois o material escasseia (seja por ser descartável, ou por compras inconscientes).

Localmente, a empresa Paulo de Oliveira mantém-se no ativo, produzindo equipamento como batas hospitalares e unindo-se a outras empresas nacionais com a mesma iniciativa, como é o caso da Polopique e da Calvelex. Outro exemplo aqui próximo é o projeto desenvolvido em parceria com a UBI, de empresas e câmaras/juntas locais, tanto da Covilhã como do Fundão, através da criação de viseiras parcialmente reutilizáveis, isto é, podem ser desinfetadas e reutilizadas ou simplesmente substituindo a parte plástica pois a peça de encaixe é de uso permanente após a desinfeção. Existe ainda o projeto #FundãoMask que junta voluntários na produção de máscaras.

A um nível nacional e local ao mesmo tempo, temos o exemplo da Dielmar que decidiu fechar portas para segurança dos seus trabalhadores. Além disso, Luís Onofre, o aclamado designer de calçado, recentemente decidiu produzir máscaras para doação.

Passando a um panorama global e focando primeiro em Itália, pois atualmente é o país mais afetado da Europa e considerado foco da moda, várias marcas mostraram prontidão a ajudar. Por exemplo, o grupo Calzedonia começou a produção de batas hospitalares. A maioria das marcas opta por doar (como é o caso da Gucci, Giorgio Armani e outras), angariar fundos (Versace), financiar estudos para o melhor conhecimento deste inimigo (Dolce&Gabbana e Bulgari) e/ou até todos os tipos de ajuda citados, entre outros.

Expandindo ainda mais as fronteiras, marcas como H&M, Mango, Christian Dior, Balenciaga também participam nas doações, inclusive a marca Louis Vuitton, que neste momento produz gel desinfetante igualmente para doar. Quanto mais se agrava o problema mais marcas se juntam à causa, o que demonstra a solidariedade e a urgência existentes nestes dias.

Não são só empresas têxteis que contribuem… Empresas e pessoas de todo o tipo e classe, assim como celebridades e pessoas comuns contribuem ou podem contribuir, seja com voluntariado ou com o “simples” ficar em casa. Vamos ser responsáveis e proteger-nos a nós e aos outros, pois quanto mais tempo ficarmos em casa mais depressa saíremos. Tenham cuidado e não se esqueçam que tudo vai ficar bem!

 

Tiago Matos, finalista em Design de Moda pela Universidade da Beira Interior

- 31 mar, 2020
- Tiago Matos